<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560</id><updated>2012-02-16T23:04:48.975-02:00</updated><category term='contos'/><category term='indefinidos'/><category term='crônicas'/><category term='diálogos'/><title type='text'>Desencantados</title><subtitle type='html'>Porque toda realidade precisa de uma dose de ficção.
&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;&lt;BR&gt;
&lt;a href="http://desencantados.blogspot.com/search/label/contos"&gt;contos&lt;/a&gt; // &lt;a href="http://desencantados.blogspot.com/search/label/cr%C3%B4nicas"&gt;crônicas&lt;/a&gt; // &lt;a href="http://desencantados.blogspot.com/search/label/di%C3%A1logos"&gt;diálogos&lt;/a&gt; // &lt;a href="http://desencantados.blogspot.com/search/label/indefinidos"&gt;indefinidos&lt;/a&gt;</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-14997784098206075</id><published>2010-03-15T19:56:00.002-03:00</published><updated>2010-03-15T20:04:48.870-03:00</updated><title type='text'>Identidade por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem sou eu?&lt;br /&gt;Eu sou a palhaça que faltava no seu circo&lt;br /&gt;A pedra que faltava em seu sapato&lt;br /&gt;O pensamento que você não concluiu&lt;br /&gt;A vida que você não viveu&lt;br /&gt;A mulher que você teve mas não quis&lt;br /&gt;O amor que você não desejou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou o círculo que não cabe no quadrado&lt;br /&gt;O raciocínio que não segue a lógica&lt;br /&gt;O tema que não resume o discurso&lt;br /&gt;Eu sou tudo e não sou nada&lt;br /&gt;Eu sou o ego e o desapego&lt;br /&gt;Eu sou você quando se olha no espelho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a mãe, a filha e a irmã&lt;br /&gt;Amiga e inimiga&lt;br /&gt;Querida e odiada&lt;br /&gt;Sentida ou renegada&lt;br /&gt;Eu sou a saudade que você não sentiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou nada mais do que você imaginou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-14997784098206075?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/14997784098206075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=14997784098206075&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/14997784098206075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/14997784098206075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2010/03/identidade-por-srta-jones.html' title='Identidade por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-700701073139157918</id><published>2008-11-02T22:54:00.001-02:00</published><updated>2008-11-02T22:55:46.943-02:00</updated><title type='text'>Canastrice por Srta. Jones</title><content type='html'>Pessoas (supostamente) satisfeitas não têm inspiração. Nem pessoas ocupadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-700701073139157918?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/700701073139157918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=700701073139157918&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/700701073139157918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/700701073139157918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2008/11/canastrice-por-srta-jones.html' title='Canastrice por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-3553478312765921500</id><published>2008-01-03T20:05:00.000-02:00</published><updated>2008-01-03T21:20:37.048-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Vidro Quebrado por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Sempre tive a mania de buscar as histórias das músicas que gosto. Quanto mais misteriosa e intrigante a letra, maior a minha necessidade de descobrir o que existe por trás dela. Foi assim que, ouvindo "Christine", da banda Siouxsie and the Banshees, eu me interessei em pesquisar uma doença chamada Transtorno Dissociativo de Identidade (a popular síndrome de personalidade múltipla). A música trata do caso real de uma mulher americana chamada Christine Costner-Sizemore que, em um momento de sua vida, chegou a ter 22 personalidades diferentes, todas em resposta a diversos traumas sofridos pela paciente. Hoje a senhora de 80 anos está curada, mas sua condição está eternizada na música de Siouxsie Sioux, em um filme (&lt;em&gt;Three Faces of Eve&lt;/em&gt;) e em dois livros, e certamente ainda gera a curiosidade de muitos outros caçadores de histórias obscuras. Mas este post não é para falar da sra. Costner-Sizemore ou de Siouxsie and the Banshees. O que realmente me motiva é a tal da personalidade múltipla.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O TDI é uma condição que confunde psiquiatras porque muitos de seus sintomas são comuns a outras doenças - e algumas escolas defendem que, na verdade, o transtorno é um sub-sintoma de outros distúrbios. Há ainda os profissionais que não acreditam na existência do TDI, pois seu diagnóstico é subjetivo e há pouca evidência empírica de sua ocorrência. Mas o fato é que a antiga síndrome de personalidade múltipla é uma doença que, real ou inventada, encanta e assusta a ponto de gerar controvérsia, discussão, curiosidade e arte. Imaginar que uma única pessoa possa se dividir em duas ou mais e assumir diferentes vozes, trejeitos e maneiras de pensar é algo que instiga o senso lúdico de cada um. Seria essa doença um teatro pessoal, em que o "ator" interpreta diferentes personagens de acordo com os estímulos externos do ambiente e das pessoas que o cercam? Seria um possessão espiritual? Talvez apenas uma maneira mais livre e radical de se desvencilhar de pessoas e situações incômodas? Uma bela desculpa para se cometer um crime ou "esquecer" de pagar uma dívida? Eu particularmente fico com a tese de que esta é uma doença real e que quem finge tê-la, na verdade, tem outros problemas psiquiátricos (ou é apenas cara de pau).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o meu objetivo ainda não é falar só sobre Transtorno Dissociativo de Identidade. O que realmente tem me intrigado é perceber como pessoas comuns, sem traço aparente de doenças psiquiátricas graves, podem mudar de comportamento de forma repentina, assustadora ou somente frustrante. Sabe aquele amigo que passa um mês te ligando quase todos os dias e de repente some? Ou aquele cara que parece estar afim de você mas que, de uma hora para outra, se comporta como se vocês nunca tivessem se conhecido. Quantas vezes você não se pegou perguntando "esse cara é maluco?"? Você cumprimenta uma vizinha todos os dias e às vezes ela responde - em outras é como se ela não tivesse a menor idéia de quem você pode ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema da mudança súbita de comportamento é impedir o estabelecimento de relações de confiança com algumas pessoas. E eu não me refiro especificamente à segurança de se poder contar segredos para alguém, mas simplesmente ao fato de ser querer ter algumas certezas sobre as pessoas com que convivemos. Poder esperar certas atitudes ou dar como garantidas algumas benesses que só a amizade traz. Ter certeza de que aquele recado na secretária eletrônica vai ser respondido, ou que o convite para um almoço vai ser bem recebido. Uma amizade só faz bem se você não precisa ficar roendo as unhas toda vez que manda um email. A longo prazo, amigos que não agem como manda o figurino ou que repetem comportamentos insólitos não valem o investimento. A menos que eles tenham alguma coisa em comum com Christine - aí é melhor você se informar sobre o Transtorno Dissociativo de Identidade e não esperar sentado por um telefonema.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-3553478312765921500?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/3553478312765921500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=3553478312765921500&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3553478312765921500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3553478312765921500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2008/01/vidro-quebrado-por-srta-jones.html' title='Vidro Quebrado por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-6983264346337686597</id><published>2007-12-31T19:35:00.000-02:00</published><updated>2007-12-31T19:45:14.206-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Ano Velho por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Todo ano ela fazia tudo igual. Retirava o excesso de cinismo, diluía em água o sarcasmo e dava férias para o pessimismo. Todo ano ela acreditava que seria, enfim, diferente. Que a mesma esperança que natural e sorrateiramente tomava conta de si teria contagiado seus pares e tornado seus corações e mentes menos endurecidos e egoístas. Todos os anos ela se frustrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que todos fossem capazes de destruir seu espírito. Mas bastava o mau comportamento de um para tirar-lhe todo o prazer de esperar sempre pelo melhor. E o silêncio dos outros era anuência de que os maus precisavam para arruinar o seu futuro. Mesmo assim, todos os anos, como se esquecesse o fracasso do ano anterior, ela voltava a acreditar. Para ela não havia trauma - ou mesmo má impressão - e ela sempre chegava àquele momento com fé renovada, uma mente apagada de más recordações. E todos os anos ela terminava o dia com o coração dolorido. A garganta fechava e ela queria apenas fugir. Chorar sempre parecia fora de questão, mas com o tempo aquele passou a ser o único dia em que ela se entregava à fraqueza. Era o único fato de sua vida que ainda a tornava vulnerável. E era o que mais se repetia. Todos os anos, todos os dias.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-6983264346337686597?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/6983264346337686597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=6983264346337686597&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6983264346337686597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6983264346337686597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/12/ano-velho-por-srta-jones.html' title='Ano Velho por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-690958223489641810</id><published>2007-12-31T01:25:00.000-02:00</published><updated>2007-12-31T01:34:12.074-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Ignorâncias por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quando eu deveria andar na rua despreocupada, segura (de que um meteoro não cairá sobre mim ou que o alvo de uma metralhadora não encontrará o caminho de minha cabeça) e confiante (no fino trato de meus conterrâneos), sou bombardeada com a doença social que tornou todos os moradores desta cidade pacientes eternos e sem cura. Quando, porém, tomo parte em situações de socialização espontânea e descompromissada e mostro minha persona mais amigável, sou presenteada com o desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero atacar as duas faces da ignorância com dois sonoros, doloridos e pulsantes tapas.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-690958223489641810?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/690958223489641810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=690958223489641810&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/690958223489641810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/690958223489641810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/12/ignorncias-por-srta-jones.html' title='Ignorâncias por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-8365661475242113956</id><published>2007-12-21T03:19:00.000-02:00</published><updated>2008-02-05T04:21:58.250-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Descrença por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Tenho pensado muito sobre criatividade. Tanto que esbocei uma poesia sobre o assunto. O poema começava falando sobre bloqueio criativo e seguia até chegar à criação plena. Porém, nos últimos versos, travei. Por caminhos tortos, fui confrontada com as opiniões de que bloqueio criativo é um assunto sobre o qual não se deveria escrever, pois seria um "clichê", e que existem coisas que não valem a pena ser publicadas. O meu pensamento não poderia ser mais diferente.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O maior clichê que existe é o amor. Escreve-se sobre ele o tempo todo (e fala-se e canta-se...). Todo ser humano que já juntou pena e papel versou sobre o tal sentimento, pelo menos alguma vez na vida. Pode ser um poeminha infantil, uma carta pretensiosa de algum adolescente, um livro, um soneto. Obras publicadas ou aquelas linhas que vivem eternamente dentro de uma gaveta ou caderno. E quem seria louco de dizer que não se deve escrever sobre o amor? Se ele acontece todos os dias e em cada quarto vazio ele pode morrer, sempre haverá algo de novo a ser dito. A sua repetição não esgota seu significado - tanto sentimental quanto artístico. Como o bloqueio criativo é o pesadelo de todos que têm necessidade de escrever, por gosto ou profissão, ele é um assunto que nunca se exaure. Não importa se é um clichê.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Em relação à qualidade do que se publica, o problema é ainda mais grave. Questionar a validade de uma obra (ou mesmo de um simples texto de internet) e tentar determinar seu mérito é, em última instância, tentar colocar um filtro no processo criativo. É uma forma artificial de se estabelecer um bloqueio - o grande inimigo de qualquer forma de arte. O papel de definir o que "serve" e o que não "serve" cabe a quem escreve - e esse papel é exercido através do bom senso. A quem lê, resta julgar por termos extremamente pessoais. Imagine se cada um de nós pudesse decidir que obras e quais autores merecem ser publicados - e pudéssemos eliminar aquilo que já estivesse publicado e que não se enquadrasse no nosso conceito de "bom". Mataríamos a herança cultural uns dos outros - porque, ó obviedade, o que é bom para mim não é necessariamente bom para outras pessoas. Sumiriam com os livros de Camus e Nabokov e eu não teria outra opção a não ser queimar as obras de Henry Miller e Saramago. Para os sedentos de sangue e propensos a uma caça às bruxas não há cenário mais atraente. A mim, particularmente, nada disso interessa. Sou apenas mais uma "blogueira" que, com freqüência errática, gosta de colocar um pedacinho do próprio pensamento para que estranhos e amigos possam ler. Sou apenas mais um ser humano que precisa escrever.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-8365661475242113956?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/8365661475242113956/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=8365661475242113956&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/8365661475242113956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/8365661475242113956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/12/descrena-por-srta-jones.html' title='Descrença por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-4565305030298568708</id><published>2007-11-26T20:08:00.000-02:00</published><updated>2007-11-26T20:42:30.410-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Agonias Modernas por srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Estou enfim colocando para frente um projeto sonhado e meticulosamente planejado por dois anos e, por isso, tenho passado os últimos dias fazendo exaustivas pesquisas na internet e disparando emails diariamente. Não sou uma pessoa que manda muitos emails, até porque a maioria das pessoas com quem me relaciono de alguma forma está ao alcance do telefone (ou das mãos, dependendo de quem for). Por isso mesmo, quase nunca tenho que me preocupar com a capacidade alheia de responder às missivas eletrônicas em tempo hábil ou ao menos num período que seja minimamente tranqüilizante. Esta preocupação agora é minha companheira diária. Companheira desagradável, diga-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A incapacidade humana de corresponder aos anseios mais básicos do outro e a habilidade de deixar para amanhã o que deveria ser feito hoje são tão irritantes quanto crianças que andam com aqueles tênis de rodinhas pelos shoppings. Despertam em mim, em igual medida, a vontade semi-controlável de estapear os procrastinadores e obrigá-los a ir ao encontro daquilo que lhes é pedido (ou, no caso das crianças, deixar o pé na frente quando elas passarem - imaginem que belo seria o tombo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De 15 emails enviados em sete dias com o mesmo objetivo para cinco remetentes, só obtive resposta para três, sendo que apenas um realmente satisfez (em parte) as minhas necessidades. E cá estou eu, dependendo da resposta de todas as mensagens para levar meu plano adiante. Nada pode ser realmente feito sem este &lt;em&gt;feedback&lt;/em&gt; e o tempo está conspirando contra mim. E isso não importa a ninguém, porque ninguém além de mim está realmente preocupado com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As conexões ultra-rápidas e os celulares transformaram a noção moderna de tempo e espera. É intolerável para alguém deste século ter de esperar algumas horas por um telefonema, ou um dia pela resposta de um email. E não muda nada saber que há tão pouco tempo se esperava dias e dias, semanas, por cartas, encomendas, encontros. Eu continuo querendo que os meus 15 emails sejam respondidos &lt;em&gt;presto&lt;/em&gt;, porque é essa a idéia que o novo mundo nos vende. De que tudo pode ser conseguido a qualquer momento, em qualquer lugar, o mais rápido possível. De que tudo pode ser visto e sentido &lt;strong&gt;&lt;em&gt;em tempo real&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;. Agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu continuo olhando para a minha caixa de emails vazia. Que droga.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-4565305030298568708?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/4565305030298568708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=4565305030298568708&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/4565305030298568708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/4565305030298568708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/11/agonias-modernas-por-srta-jones.html' title='Agonias Modernas por srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-3510201346543771260</id><published>2007-11-12T18:29:00.000-02:00</published><updated>2007-11-12T18:45:46.359-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Desintegrado por srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Quantas vezes alguém pode estragar tudo na vida? Quantas vezes você pode jogar uma chance de ouro no lixo? Quantas vezes alguém precisa sentir um arrependimento mortal para aprender a não colocar tudo a perder? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;O cara tinha tudo para ser um sucesso. Todo mundo o via como alguém que seria grande um dia. Só ele não percebia isso. Não percebia que era bonito, que era inteligente, que era alguém para se admirar. Ele só sabia errar, vez atrás de vez. Era um especialista em desistir, em não tentar. E a vida sempre sorria para ele. Como sorri para poucos.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Um dia ele estava saindo de uma entrevista de emprego e tomou um tombo. Bateu com a cabeça no meio-fio e por um triz não foi atropelado. Teve uma concussão e ficou em coma por duas semanas. Quando acordou, não sabia quem era e falava em italiano. Não reconheceu a família nem a namorada. Levou três meses para lembrar que sua língua materna era português e que era formado em administração. Estava perdido. Totalmente perdido.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mais dois meses e ele estava voltando a levar uma vida próxima do normal. Abriu sua caixa de emails e viu que havia sido aprovado na entrevista. O email datava de quatro meses e meio atrás. Outra chance perdida. Outra vitória que estava na sua mão. Só que havia uma porcaria de meio-fio no seu caminho, num dia em que tudo poderia dar certo. O que ele vai fazer agora? &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Pelo menos ele aprendeu a falar italiano.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-3510201346543771260?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/3510201346543771260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=3510201346543771260&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3510201346543771260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3510201346543771260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/11/desintegrado-por-srta-jones.html' title='Desintegrado por srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-4557108261789236535</id><published>2007-10-13T02:23:00.000-03:00</published><updated>2007-10-30T22:42:54.925-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Mergulho por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Às vezes é difícil situar a própria vida sem recorrer ao status da vida alheia. De quando em quando me faço intrusa e busco o paradeiro de amigos perdidos com o tempo. Outras vezes sou surpreendida com notícias de gravidez, mudança ou viagens inesperadas. Estou numa daquelas idades estranhas em que tudo à minha volta parece estar se encaixando, enquanto eu continuo fora do lugar. Mas sou eu mesmo o elemento estranho ou são os outros que estão mudando rápido demais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com alguns poucos cliques descubro que uma antiga paquera metamorfoseou-se em homem casado, pai de um filho e respeitável servidor público. Outro dia, a notícia da gravidez de uma colega dos tempos de ginásio quase me fez engasgar com o café. Fora aqueles que já asseguraram seus empregos em escritórios de advocacia, agências de publicidade, hospitais etc, ou os que saíram da cidade ou do país e levam, enfim, uma vida séria. Nada como a minha própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha existência é, para quase todos os propósitos, bastante fútil. Meu tempo é dividido entre estudar, sair, dormir, ver televisão, jogar horas e horas fora no computador, fazer compras (eu disse que era uma existência basicamente fútil), ler. Às vezes me entrego à cada vez mais difícil tarefa de imaginar o futuro, projetar algo que subsista por mais de duas semanas. Quando se chega à minha idade, na minha atual situação, pensar no futuro nada mais é do que fonte impressionante de pavor. Olhar para a frente e admitir que há vida para além do próximo ano é aceitar que estou, hélas, envelhecendo. E envelhecer antes dos trinta traz cabelos brancos. Muitos. E rugas. E a necessidade de se jogar fora metade do guarda roupa por simples receio de parecer ridícula e imprópria perante a sociedade. E é também admitir que existe uma nova geração só esperando que eu apague as luzes para invadir o espaço que eu e tantos outros ocupamos por tanto tempo. É assumir que sim, o tempo passou. Infelizmente, para todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não estou realmente preocupada em ser adulta. Quando descubro que o ex-flerte casou, que a ex-colega será mãe, que um conhecido qualquer já é sócio em alguma firma de advocacia, não me sinto como se estivesse no caminho errado. Eu não queria estar casada. Eu não queria ser mãe. Eu não queria assumir mais responsabilidades do que a experiência me permitiria. Não mesmo. Eu não observo a vida destas pessoas e penso, arrependida, "poderia ser eu. Poderia ser a minha vida". Não. Eu penso, apavorada, "poderia ser eu. Poderia ser a minha vida". Descobri há muito tempo que a minha vida seria diferente da dos meus contemporâneos. A minha pressa sempre foi outra. O momento de "sossegar", para mim, habita em pesadelos. Não que eu não queira crescer. Não tenho pretensões de ser eternamente jovem e passar o resto dos dias imaginando qual será meu próximo destino turístico. Mas não entendo o "crescer", o "ser adulto" como ter de comprar um pacote completo de atribuições que fazem a vida parecer uma camisa de força. Não quero ser uma trintona amarga como muitos de meus amigos e colegas, infelizmente, serão. Sempre imagino se, lá no fundo, eles não se arrependem pela pressa das escolhas. Talvez eu esteja errada. Talvez eles sejam felizes. Mas, por via das dúvidas, eu continuo fazendo parte do pequeno porém barulhento grupo dos que ainda não querem envelhecer.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-4557108261789236535?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/4557108261789236535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=4557108261789236535&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/4557108261789236535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/4557108261789236535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/10/mergulho-por-srta-jones.html' title='Mergulho por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-7609585803187243077</id><published>2007-10-01T12:35:00.000-03:00</published><updated>2007-10-01T12:53:43.827-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Sopro por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;A felicidade é dos outros. Minha, só mesmo a mania de observá-la. Passo horas, dias, semanas olhando fotos com sorrisos que não são meus, abraços que não me envolvem, beijos que não me tocam. Fotos em preto e branco, coloridas, casais, amigos, a vida que eles sabem viver e eu só sei deixar passar. Quando isso acaba?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu pensei que fosse aprender algum dia. Aprender a fazer esta coisa tão incrível e simples. Mas existe um vazio tão grande entre o que eu desejo e o que eu realmente sei. Algo em mim diz que se eu pudesse me dividir entre uma marionete e seu animador eu seria mais feliz. Em tese eu sei tudo, absolutamente tudo o que há para se saber sobre como ser uma pessoa satisfeita. Meus conselhos e confissões no papel são a prova. Mas, na prática, eu sou tragicamente incapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou a exata imagem daquele que passa seus dias olhando pela janela, vendo os outros fazerem tudo aquilo que ele desejaria fazer. Mas eu não tenho liberdades. Talvez eu não me dê liberdades. Eu não preciso de juízes ou prisões. Eu mesma resolvo isso. Para escrever estas linhas eu criei um limite, e tenho medo de ultrapassá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu chego à conclusão de que realmente não sei o que fazer.&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-7609585803187243077?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/7609585803187243077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=7609585803187243077&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/7609585803187243077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/7609585803187243077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/10/sopro-por-srta-jones.html' title='Sopro por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-5882822607274211548</id><published>2007-09-27T02:17:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T02:33:19.207-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Revolto por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Céus, eu estou perdida. Tinha tantas coisas a fazer mas estou aqui, parada, sem direção, balançando ao sabor do meu estado de espírito. "Um barco à deriva" é um clichê e não corresponde à verdade. Eu ainda não saí do cais. Estou atracada, com a âncora lançada tão fundo que prefiro não mergulhar para soltá-la. Eu não tenho um plano de viagem, e meus mapas estão todos obsoletos. Já rasguei um sem número de esboços de rotas que poderia traçar, e abortei igual porção de investidas ao mar. A ferrugem sobe devagar pelo casco e posso sentir seu cheiro. Eu ainda estou aqui.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Conheci a história de um viajante que tinha três objetivos a cumprir. Três destinos a alcançar, todos mutuamente excludentes. Ele tinha pressa e queria conhecer todos de uma vez. Não era possível. Um dia ele desejou ser três ao mesmo tempo, para ir a cada um dos lugares que escolheu. Acordou no dia seguinte e descobriu que os três lugares não existiam mais. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Posso engendrar metáforas, posso contar fábulas. Mas onde está o caminho que eu devo seguir?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-5882822607274211548?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/5882822607274211548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=5882822607274211548&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/5882822607274211548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/5882822607274211548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/09/revolto-por-srta-jones.html' title='Revolto por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-8588034893930548420</id><published>2007-08-11T23:32:00.000-03:00</published><updated>2007-08-12T00:04:02.135-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Do frio por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Eu tinha o hábito de ficar horas olhando pela janela. Eu queria ver alguma coisa, mas nada em específico - as pernas, os braços, os carros, partes, pedaços de quem passava, uma nesga de calçada, uma aba de chapéu, filetes de um guarda-chuva, pessoas paradas no ponto de ônibus. Minha mãe sempre entrava no quarto e me perguntava o que eu estava vendo. Eu respondia, "nada", e continuava o que estava fazendo. Ela foi muito boa por não ter tomado nenhuma atitude a respeito. Não era nada com que ela devesse se preocupar, afinal. Era só, talvez, um mau hábito. Mau apenas porque cansava minhas pernas e minha coluna - mas isso foi prontamente resolvido no dia em que levei uma cadeira junto comigo antes de começar minha observação diária. Com o tempo, o assento duro de madeira se tornou desconfortável, e eu logo acrescentei uma almofada ao seleto grupo de objetos que me acompanhavam.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Eu vi muitas coisas. Pessoas atrasadas correndo atrás de ônibus, casais de mãos dadas, homens e crianças passeando com cachorros, senhoras carregando sacos de pão e vendedores de canetas. Às vezes podia ver minha mãe chegando do trabalho, ou meu irmão indo se encontrar com alguma de suas namoradas. Via o gato amarelo que teimava em dormir sobre o parapeito externo da janela da vizinha - para sua sorte, ela nunca o pegou. Vi meninas de uniforme andando em grupos de cinco ou seis, sempre sorridentes e pulando, rindo furtivamente, sendo bobas. Vi bêbados que não sabiam como voltar para casa, vi carros de polícia e ambulâncias, lixeiros esvaziando latões; vi o entregador de jornal e o carteiro; um homem louco que às vezes parava em frente ao portão e brigava com um inimigo imaginário. E, algumas vezes, eu via você. O brilho do seu cabelo, tão forte que transportava até mim o cheiro do seu xampu de pêssego. Suas roupas, sempre tão limpas e brancas, sem nenhum amassado; suas pernas compridas e rápidas, subindo e descendo a rua e os degraus. Algumas vezes você cumprimentava minha mãe; noutras, estava com tanta pressa que não percebia ninguém por perto. E acredito que nunca soube que sempre te observei, daquele meu pequeno canto que tanto prezo, e do qual ainda sinto saudades.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Chamam-me do outro cômodo. Preciso ir. Prometo que continuo minha história. Ah, são tantas coisas que eu tenho para dizer. Vi tanta beleza e tanto sofrimento... se ao menos você soubesse. Ah, mas saberá, sim, sim, saberá, pois pretendo contar tudo. Juro que não vou deixar nenhum detalhe para trás. Agora devo ir. Espere por mim. Promete?&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-8588034893930548420?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/8588034893930548420/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=8588034893930548420&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/8588034893930548420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/8588034893930548420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/08/do-frio-por-srta-jones.html' title='Do frio por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-6708751066070398403</id><published>2007-07-01T16:52:00.000-03:00</published><updated>2007-07-01T17:06:30.895-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Caleidoscópio por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Seus olhos enormes acompanham a modificação. Seus cabelos já não são mais louros. Suas unhas, antes rosas, estão agora vermelhas. Ela não é mais a mesma de antes. Um dia ela come morangos; noutro, uma banana split. De manhã, usa um vestido roxo; à noite, se esconde como uma tartaruga. A cada novo inimigo, uma nova personalidade. Ela não é uma, nem duas. Ela é várias, ao mesmo tempo, ou uma de cada vez. Suas 22 faces se confundem quando ela se vê refletida no espelho do seu quarto. Hoje ela não quer mais sair, mas nunca se sabe quando sua vontade vai mudar. Quando ela é recatada, prefere ler. Quando é ousada, prefere se aventurar pela noite. Um dia ela é solteira, noutro, casada. Ela nunca sabe realmente o que quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua alma está se desintegrando. Ela precisa ser uma. Suas faces a matam aos poucos, seu corpo não sabe mais como deve ser. Ela quer se libertar das máscaras. Ela quer encontrar alguém. Mas como, se ela não sabe quem ela mesma é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As máscaras vão se desdobrando. Morangos, bananas, roxo, tartarugas, 22 faces, dia e noite. Ela não sabe quem ela é. Ninguém realmente sabe.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-6708751066070398403?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/6708751066070398403/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=6708751066070398403&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6708751066070398403'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6708751066070398403'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/07/caleidoscpio-por-srta-jones.html' title='Caleidoscópio por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-5225859331423411506</id><published>2007-06-24T00:37:00.000-03:00</published><updated>2007-06-24T00:43:21.468-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Concreto por Srta. Jones</title><content type='html'>Solidão&lt;br /&gt;Solidez&lt;br /&gt;Solidariedade&lt;br /&gt;Sólido&lt;br /&gt;Soldado&lt;br /&gt;Soldadeiro&lt;br /&gt;Soldadinhos&lt;br /&gt;Solitude&lt;br /&gt;Solitário&lt;br /&gt;Solipsismo&lt;br /&gt;Solilóquio&lt;br /&gt;Solidéu&lt;br /&gt;Solidário&lt;br /&gt;Solicitante&lt;br /&gt;Solenidade&lt;br /&gt;Só&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-5225859331423411506?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/5225859331423411506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=5225859331423411506&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/5225859331423411506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/5225859331423411506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/06/concreto-por-srta-jones.html' title='Concreto por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-3071706054045138512</id><published>2007-06-07T00:44:00.000-03:00</published><updated>2007-06-07T01:45:50.096-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Silêncio por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;O papel dizia que o endereço era aquele. Ela conferiu duas vezes para ter certeza de que estava diante do número certo. Tocou a campainha e esperou. Ninguém atendeu. Ela tocou de novo, mas de novo ninguém apareceu. Ela testou a maçaneta, e viu que a porta estava destrancada. Resolveu entrar, pois tinha hora marcada para estar ali dentro, e não queria se atrasar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pequena antesala estava escura. Ela conseguiu enxergar uma porta ao final do corredor e se dirigiu até lá. Encostou o ouvido na madeira mas tudo o que havia do outro lado era silêncio. Ficou na dúvida sobre o quê fazer, afinal, àquela hora, deveria haver alguém esperando por ela ali. Ela hesitou por alguns segundos e decidiu que de nada adiantava permanecer naquela saleta vazia. Abriu a porta, e encontrou um largo corredor com outras dezesseis portas. O silêncio grassava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A situação era extremamente perturbadora. Afinal, por que não havia ninguém ali? Um dia ela recebeu um telefonema avisando-a de um compromisso naquele local, indicando dia e hora em que ela deveria comparecer. Ela não sabia muito bem do que se tratava mas resolveu ir ainda assim, porque não se sentia em condições de dizer não. Chegando lá, não encontrou ninguém. Quem tinha telefonado? Que compromisso era aquele afinal? Alguém estava tentando se divertir às custas dela, talvez. Ela não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidiu que seu tempo era precioso e que deveria ir embora. Antes de ir quis dar uma última chance para que alguém aparecesse. Resolveu gritar, o mais alto que pôde, "Tem alguém aí?". Segundos e minutos passaram e o silêncio continuou. Ela pensou ouvir passos, mas era alguém batendo um martelo perto dali. Passou os olhos por todas aquelas portas e testou-as, uma a uma, para ver se abririam. Todas estavam trancadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parou perto da porta por onde entrou e resolveu gritar de novo. Ninguém respondeu. De novo, ela foi ignorada. Já estava virando um hábito. Um hábito que ela preferia não adquirir.&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-3071706054045138512?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/3071706054045138512/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=3071706054045138512&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3071706054045138512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3071706054045138512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/06/silncio-por-srta-jones.html' title='Silêncio por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-3878517229624949392</id><published>2007-05-22T22:58:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T03:05:26.628-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>O Passo por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Xxxxx, 18 de Janeiro de 1949.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Sinto saudades de velhos amigos. Pessoas que há tanto tempo não vejo e não ouço. Recebo tantas cartas, tantos telefonemas, e mesmo assim continuo esperando que aqueles de quem mais nada sei possam aparecer para mim a qualquer instante.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Há tantos dias que não escuto mais o riso das crianças. Não sei se já foram embora, ou se estão apenas caladas. Elas costumavam brincar todos os dias em frente ao meu jardim, mas eu nunca as via. Somente ouvia seus gritinhos excitados e felizes, suas brincadeiras divertidas e, às vezes, um pouco violentas. Talvez elas tenham retornado à sua casa, à sua escola. Talvez estejam apenas descansando ou ouvindo histórias de terror. Espero que não seja algo pior.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não sei quanto tempo faz exatamente que não vejo a luz do sol. Todas as cortinas estão cerradas e nunca me aproximo das janelas. Fico somente observando, de longe, a paralisia muda do cetim vermelho, esperando que o vento sopre e faça tudo em volta balançar. Minha pele está sempre fria e meus pés necessitam de constante atenção. Ando sempre com meias as mais pesadas. Não passarão muitos dias e também minhas mãos estarão congeladas. Preciso colocar logo minhas luvas.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Não me lembro quando fiz uma refeição pela última vez. Lembro-me apenas de, há alguns dias, ter-me sentado à mesa e imaginado estar envolto por alegres convivas, que bebiam e sorriam e brindavam à minha saúde. Divertiam-se como os convidados de minha última festa. Tudo passou tão rápido, o tempo, a festa, a alegria, os momentos de felicidade e íntima paz. Estávamos todos prestes a nos perder, porque os dias passariam e tudo o que conhecíamos de familiar e perfeito mudaria. Nada é hoje como havia sido até poucos momentos atrás. Todo o nosso conforto, tudo evaporou. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por isso, hoje, estou vagando por esta casa, sozinho. Disseram-me que deveria esperar, pois, a qualquer momento, poderia ser minha vez de partir. Fecharam minhas janelas e colocaram pesados cadeados em minhas portas. Recebo cartas e telefonemas mas fui proibido de responder. Instruíram-me a aguardar em silêncio, enquanto não chega minha vez. Escondi meu diário para que não pudessem me privar deste último prazer. Escrevo para que algum dia, no futuro, um espírito curioso encontre estas páginas e saiba exatamente como tudo aconteceu. Quero deixar registrado aqui que eu, Y, estou prestes a embarcar em uma viagem muito longa sem destino definido. Não sei quem serão meus companheiros de empreitada, e nem quem me receberá em meu destino. Não sei mesmo se esta não será minha viagem derradeira. Ignoro o que planejam para mim, mas sei que esta é uma viagem que preciso fazer. Há muitas luas me disseram que este dia chegaria. E não importam os sacrifícios que hoje preciso fazer, esta é minha missão e cumpre a mim realizá-la a contento. De todas as minhas obrigações, esta é a única da qual não posso de nenhuma forma fugir. Tenho me preparado para o momento desde o dia em que me foi dado conhecer que iria partir. Pode acontecer a qualquer minuto. Não temo. Desde há muito tempo, estou pronto para ir.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-3878517229624949392?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/3878517229624949392/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=3878517229624949392&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3878517229624949392'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3878517229624949392'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/05/o-passo-por-srta-jones.html' title='O Passo por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-7101981941279618215</id><published>2007-05-08T01:40:00.000-03:00</published><updated>2007-05-08T01:58:59.557-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>O Plano por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;"Quer dizer que nós podemos?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Sim, nós podemos."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Mas será que não vai dar problema? Quer dizer, a gente não vai parar na cadeia por causa disso, né?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Bem, acho que não. Ah, e também não importa."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Como assim, cara, 'não importa'?! Se isso vai colocar a gente em cana então eu vou pular fora."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Ah, larga de ser covarde. A gente pode fazer isso."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Mas e sem alguém vir? E se algum vizinho der com a língua nos dentes, o que a gente faz?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Foge."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Ah tá, como se fosse fácil, assim. A polícia acha a gente em qualquer lugar, cara."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Acha nada. Fora que eles vão até achar bom se a gente fizer isso. A gente vai prestar um serviço à comunidade."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Pára de brincar, cara. O negócio é sério."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Tá, parei. Mas olha, pensa assim: o importante é que a gente pode, e deve. Se a polícia vai ficar sabendo, aí já é outra história."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"É, pode ser. Eu sei que a gente pode. Eu só fico com medo de isso dar a maior merda depois. Sabe como é, eu tenho os meus filhos pra criar. Não posso deixar minha família na mão."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Tudo bem, mas a gente dá um jeito de se safar se o negócio ficar esquisito pro nosso lado. Eu tenho os meus contatos, cara. Eu me garanto e ainda coloco você na fita também."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Beleza. Se é assim..."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Então, tá combinado?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Combinado."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Assim é que se fala. Você sabe que a gente pode."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;"É, a gente pode mesmo. Amanhã a gente vai linchar o proprietário."&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Inspirado em "Let's Lynch the Landlord", dos Dead Kennedys. A autora desde já se declara contra linchamentos e qualquer outro tipo de agressão física, verbal, auditiva ou visual.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-7101981941279618215?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/7101981941279618215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=7101981941279618215&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/7101981941279618215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/7101981941279618215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/05/o-plano-por-srta-jones.html' title='O Plano por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-2229330420845791588</id><published>2007-04-12T00:01:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T00:16:39.181-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>1 e 2 por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Há quanto tempo nós chegamos aqui?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Já deve fazer algumas horas, eu acho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tanto tempo assim?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um-hum."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É... é mesmo. Deve ter umas... três, quatro horas?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Acho que mais."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É. Umas sete horas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Tudo isso?! Meu Deus. E o que a gente fez aqui esse tempo todo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nada?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É, nada."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Caramba. Tanto tempo perdido pra nada. Tem certeza que a gente não fez nadinha mesmo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Um-hum."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Puxa vida."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Teve aquela hora em que a gente assistiu à tv. Lembra?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Lembro. Mas foi pouco tempo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quanto?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Uns quarenta minutos, mais ou menos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E depois a gente fez o quê mesmo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente ligou pro cara do aquecedor, ele não atendeu. Depois a gente jantou, aí sua mãe ligou e você falou com ela durante cinco minutos, e enquanto isso eu lixei minhas unhas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E depois?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Depois a gente ficou lendo o jornal, procurando alguma coisa pra fazer. E só."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então... quer dizer que a gente passou esse tempo todo procurando o que fazer, foi isso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É, acho que sim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nossa. Que desperdício."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Também acho."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Da próxima vez a gente não vai perder tanto tempo. Se não surgir nada pra fazer, a gente inventa, nem que seja um baralho ou uma sinuca, ou um livro, sei lá."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não vai ter próxima vez, pelo menos não esta semana."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ué, por quê não?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Porque amanhã você trabalha, e depois de amanhã também, esqueceu?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ih, é mesmo. Não é que eu tinha esquecido?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É, deu pra perceber."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Poxa, que pena. Bom, pelo menos a gente se encontrou e colocou a conversa em dia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente quase não conversou."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sério?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sério."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Meu Deus. Quanto tempo perdido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bom, mas pelo menos semana que vem a gente vai se ver de novo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se eu estiver por aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não vai estar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É provável que não. Eu viajo no sábado e não sei quando volto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Bom, então eu já vou. Me liga quando você voltar. Boa viagem."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Obrigada. Até."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Até."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-2229330420845791588?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/2229330420845791588/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=2229330420845791588&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/2229330420845791588'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/2229330420845791588'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/04/1-e-2-por-srta-jones.html' title='1 e 2 por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-2039105699067485922</id><published>2007-04-10T00:58:00.000-03:00</published><updated>2007-04-10T01:16:04.732-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Cromossomo X por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Elas caminham como se não se importassem se estão sendo olhadas ou não, mas na verdade elas se importam. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Elas usam minissaias e seguram os cigarros na ponta dos dedos. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando estão numa boate, dançam de olhos fechados e lentamente, como se todos as atenções devessem se voltar somente para elas. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando querem seduzir um homem, caminham dançando em sua direção como se fossem a mulher mais incrivelmente sexy do mundo. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando saem em grupo com as amigas, exageram nas insinuações de homoerotismo. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Elas se esforçam para parecem sempre blasés, mas nunca querem deixar de ser notadas. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Elas se auto-definem como "muito complexas" e dizem odiar todos os rótulos. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Elas alimentam o sonho de um dia serem exatamente como Scarlett Johansson, trejeitos, caras e bocas. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Quando saem à noite, é a elas que todos os homens perdidos se dirigem. Elas são mulheres que fazem gênero.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-2039105699067485922?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/2039105699067485922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=2039105699067485922&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/2039105699067485922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/2039105699067485922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/04/cromossomo-x-por-srta-jones.html' title='Cromossomo X por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-1285425408249758995</id><published>2007-04-02T01:36:00.000-03:00</published><updated>2007-04-02T03:46:24.294-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Um dia, alegria por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Ele sempre tinha uma história para contar. Não era fácil ser ele. O tempo todo, todos os dias e anos, pensando e criando e enlouquecendo as pessoas com suas idéias. Ele não era um santo.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Suas crias nos fizeram pensar. Mais do que isso, nos fizeram sentir. Não tinha como alguém não se empolgar diante de tanto entusiasmo, loucura e arte. Só ele conseguia disso. E ele nunca nos decepcionou.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Seus momentos foram aparecendo e se tornando cada vez mais freqüentes e duradouros. Ele era dono de sua obra e ninguém poderia fazer como ele. Era inimitável e merecedor de cada segundo de adoração que atraía. Podia-se dizer mesmo que era um gênio. Mas os gênios sempre vivem por muito tempo. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Com ou sem uma musa, sua arte seria igualmente bela, simples, elétrica e subestimada. E ele sempre fez mais. Hoje mais do que ontem, e assim foi até o dia em que ele não pôde mais. Justamente no momento em que todos se perguntavam: "e agora, do que mais ele é capaz?"&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Sempre tão compenetrado, sempre sendo a alma da sua criação. Sempre sorrindo, ou mascando um chiclete. Às vezes de óculos escuros, e algumas mechas caindo sobre os olhos. Sempre um artista, no sentido mais puro e idealista e menos vulgar do termo. Um dia ele teve de ir. Eu só soube três dias antes. Mal tive tempo de me despedir. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Espero um dia vê-lo de novo. Até lá, dançarei todas por você, meu querido.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-1285425408249758995?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/1285425408249758995/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=1285425408249758995&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/1285425408249758995'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/1285425408249758995'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/04/um-dia-alegria-por-srta-jones.html' title='Um dia, alegria por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-6792887800017245339</id><published>2007-03-13T22:11:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T16:41:03.007-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Paranóia, Paranóia por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Doutor, nada disso é real, está tudo na minha imaginação!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas é claro que não. São problemas reais, com causas reais. É tudo muito simples e claro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não! Está tudo aqui dentro, aqui! Tudo isso só existe na minha cabeça."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você está muito estressado, por isso pensa que nada é real. Mas tudo isso existe sim, eu posso ver."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, essas coisas não existem. Eu... eu inventei tudo. É, eu inventei."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É normal você pensar isso. Você está sob grande pressão, por isso pode ter a impressão de estar tendo ilusões e de que tudo à sua volta é fruto da imaginação. Mas não é o caso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Doutor, o que eu tenho que fazer para o senhor acreditar em mim?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico o fita em silêncio. O paciente parecia derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não sei mais o que dizer. Eu vou ficar mais..." - o paciente consultou o relógio de pulso - "47 minutos aqui falando a mesma coisa?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico continuou em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu vou embora então. Não posso ficar quase uma hora olhando pro senhor em silêncio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Fique aí. Relaxe e deixe que as palavras saiam naturalmente, que os pensamentos fluam e se encadeiem de forma orgânica."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ahn?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Respire fundo, solte bem os braços e as pernas. Relaxe a cabeça, o pescoço, as pálpebras. Repouse as mãos sobre o encosto da poltrona."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Doutor, o senhor está tentando me hipnotizar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu só quero que você relaxe. Relaxe."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eh... Tá certo. Eu vou relaxar. Daqui a pouco eu tiro uma soneca também."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não deve adormecer, deve somente r-"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Relaxar, eu sei."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Então, pode começar."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente se esparrama na poltrona. O médico o observa com ar de reprovação, mas continua seu trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora, imagine que você está num belo jardim, cercado de flores de cores e texturas variadas, de diferentes perfumes. Cada flor representa uma característica sua. Agora, pense em como você pode desenvolver cada vez mais essas características."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A preguiça eu já estou desenvolvendo agora, só de ficar sentado aqui."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Silêncio!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ok."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Agora, pense num campo muito verde, muito grande. Olhe para o céu. O que você vê?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"O que você vê?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu não tinha que ficar em silêncio?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Naquela hora sim. Agora você pode falar. O que você vê?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"No céu?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"É, no céu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Humm... eu vejo... duas cabras, uma vaca, uma máquina de escrever, duas cadeiras, um terço, um violão, e um homem voando."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico olha o paciente com espanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Continue."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E o céu não está azul. Ele é roxo, com bolinhas amarelas. E as nuvens são verdes."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Sim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E eu inventei tudo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico, irritado, dá um soco no encosto de sua poltrona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não inventou nada! É tudo verdade!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não, não é! E quer saber, tudo isso aqui é inventado! Esta sala, estas poltronas, os seus livros, aquelas fotografias da sua família. E as minhas neuroses, as paranóias, as manias. Tudo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico se levanta da poltrona num rompante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não inventou nada! Nada, ouviu? E pare com essas besteiras. Quem diz se são neuroses ou não sou eu! Eu sou o médico!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu inventei tudinho. Eu inventei o senhor. Sim, é isso! Você não existe! Eu inventei você!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O médico não conseguia mais ouvir. Ele se dirigiu à porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Saia, saia! Ande logo!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você não existe. Você está na minha imaginação. Se eu deixar de pensar em você, você deixa de existir por completo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Saia! Saia agora!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente já ia saindo pela porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pense nisso. Se eu morrer agora, você deixa de existir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O paciente saiu e o médico fechou a porta em seu encalço. Foi até o banheiro e lavou o rosto. Ao endireitar a coluna, ficou cara a cara com o espelho. Seu reflexo não estava mais ali. Olhou para sua sala e tudo havia sumido. Ele não existia mais.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-6792887800017245339?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/6792887800017245339/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=6792887800017245339&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6792887800017245339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/6792887800017245339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/03/parania-parania-por-srta-jones.html' title='Paranóia, Paranóia por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-616437242820968099</id><published>2007-03-11T22:55:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T16:46:34.859-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Dúvida por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Mas doutor, o senhor acha que o meu problema tem solução?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Já era a terceira vez que ele ia ao médico com a mesma queixa. O clínico já não sabia mais o que responder. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu nem posso dizer que há um problema. Você já fez todos os exames. Não é um tumor, nem é um desvio na sua coluna. Você já disse que não sofre de sinusite nem labirintite. Eu não sei o que pode ser." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tem que ser alguma coisa. Será que é algo que eu comi?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Uma dor de cabeça não duraria dois meses por causa de algo que você comeu." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tudo bem, esta possibilidade está descartada. E se eu bati com a cabeça em algum lugar e não me lembro?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"De novo, a dor não duraria dois meses se esse fosse o caso. Eu lamento, mas sua dor não tem nenhuma causa física provável." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não é possível. Essa dor tem que ter um motivo. Tem que ter." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você está passando por alguma situação estressante repetitiva? Alguma coisa no seu trabalho, talvez?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"No trabalho... acho que não. Mas eu tenho que escutar a vizinha cantando a música da novela a plenos pulmões todos os dias. Isso é bem estressante." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Algo mais estressante do que isso." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bom. Ir todo dia para o trabalho me estressa. Eu não gosto do contato com outras pessoas. E ler os jornais também me irrita profundamente. As notícias são sempre iguais." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Alguma ameaça à sua estabilidade profissional, algum problema familiar?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A minha mãe me liga todos os dias para dizer que eu estou ficando velho e preciso casar. A impressora do escritório sempre engole os meus relatórios. Uma das secretárias passa o dia todo lixando as unhas e falando sobre o namorado, e qualquer dia desses eu vou colar os dedos dela com superbonder." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, mas... há alguma coisa realmente grave acontecendo?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Grave? Bem... eu não sei. Grave. Grave, como algo muito sério, muito urgente?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bem... eu preciso entregar o relatório anual de planejamento até a semana que vem, e não estou nem na metade ainda. Isso é bem grave." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, pode ser isso. É uma situação de pressão, de estresse. Isso pode provocar efeitos físicos severos, como uma dor de cabeça persistente, por exemplo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, quem sabe não é isso mesmo. Eu pensei até que pudesse ser outra coisa, mas acho que deve ser esse problema do relatório."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O que você pensou que pudesse ser?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É que..." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Fale." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É um pouco difícil falar sobre isso. É complicado explicar, sabe?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas tente." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bom... é que, há coisa de uns dois, três meses, eu venho tendo aulas de canto." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Aulas de canto? Mas isso é muito bom!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, é mesmo. Eu sempre quis fazer aulas mas não tinha tempo e às vezes era só vergonha mesmo. Pois então, há três meses eu faço aulas de canto duas vezes por semana, sempre depois do trabalho. Eu saio de lá restaurado, feliz, realizado. É como um sonho se tornando realidade." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, mas o que há de estressante nisso?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pois então, doutor. A minha professora de canto me disse que eu sou muito bom, que eu sou um talento nato que precisava ser descoberto..." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;".. Isso é maravilhoso!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, é sim. Mas ela quer que eu cante. Em público." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas isso é um grande voto de confiança que ela está depositando em você. E você quer cantar em público?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Esse é o problema. Eu não quero. Na verdade, eu não posso." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas por que não?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque... porque eu vou ter que me expor. Eu não quero me expor." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas se você tem talento, deveria controlar o medo. Não são todas as pessoas que são abençoadas com o dom de cantar. Isso é muito especial." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, é especial sim. Mas também é embaraçoso. Eu não quero que todo mundo fique sabendo que eu canto bem." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas isso é espantoso. Normalmente uma pessoa mataria por uma oportunidade dessas, e você a está recusando?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Veja bem, eu não estou esnobando o destino. Eu realmente agradeço à minha professora de canto pela chance, mas é um passo muito grande para mim, e eu não quero dá-lo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu realmente não consigo entender." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não nasci para isso. Eu gosto de ser assim. Ninguém me vê, eu não vejo ninguém. A vida passa, o mundo caminha e eu vivo minha vida sem ser importunado. É bom assim." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É confortável." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, exatamente! É extremamente confortável." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O conforto pode levar à mediocridade." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu não sou medíocre." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você tem um talento e prefere manter-se fechado na sua concha, confinado no seu próprio mundo. Essa atitude é a mãe de todas as mediocridades." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah doutor. Não diga uma coisa dessas. Eu estou tão bem vivendo assim." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Está bem mas poderia ficar melhor. E certamente sua dor de cabeça passaria." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Será? Eu faria qualquer coisa para me livrar da dor de cabeça." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tenho certeza de que, se você aceitar o convite de sua professora, a dor passará." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Humm... eu não sei. Eu preciso pensar um pouco mais." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Cuidado para não acabar pensando demais e perdendo a oportunidade. O mundo não espera por ninguém." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas o que eu faço com a minha... com esse meu bloqueio? O que eu faço com isso?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você pode fazer terapia." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu precisaria falar sobre a minha vida. Eu não falo sobre a minha vida com ninguém." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Então eu não sei como posso te ajudar." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu preciso cantar! Eu não agüento mais essa dor de cabeça!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A terapia pode te ajudar, mas você precisa fazer um esforço. E mesmo assim não há cem por cento de certeza de que você vá se curar. Você pode aprender a administrar o problema, talvez."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu preciso me curar." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não sei se isso é possível." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas doutor, então o senhor acha que o meu problema não tem solução?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A solução é aprender a contornar o problema, e não necessariamente resolvê-lo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sei. Quer dizer, eu acho que não entendi bem, mas..." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É como uma pedra muito grande que está no meio do caminho. Ela é pesada demais para que você a tire do lugar. Então, a coisa inteligente e prudente a se fazer é desviar dela. Assim, você continua sua caminhada sem precisar fazer um esforço que, no fim, não levaria à nada." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah, sei. Então eu preciso aprender a me desviar do meu bloqueio, é isso?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, exatemente." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E como eu aprendo isso?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Aprendendo a viver." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah... e como eu aprendo a viver?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Cantar seria um bom começo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, parece uma idéia razoável. Bom doutor, obrigado pelo conselho. Eu... eu só não sei se vou realmente conseguir seguí-lo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, mas pelo menos eu fiz a minha parte. É pra isso que eu existo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, é verdade. Bom, até a próxima!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Até, e não esqueça de me mandar um convite para assistir à sua estréia." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O senhor vai querer me assistir?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, por que não?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Doutor, acho que a minha dor de cabeça está piorando..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-616437242820968099?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/616437242820968099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=616437242820968099&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/616437242820968099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/616437242820968099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/03/dvida-por-srta-jones.html' title='Dúvida por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-3219466249408839059</id><published>2007-03-10T21:43:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T16:49:16.996-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Nervos por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Eu não agüento mais as mulheres!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela entornou mais um gole da vodka.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Se elas não estão te perguntando se estão bonitas ou não, elas estão falando pela milionésima vez sobre algum cara que tá andando pra elas. E se elas não estão fazendo nem uma coisa nem outra, elas estão como eu, bebendo e alugando o ouvido de vocês."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seus dois amigos a observavam achando graça e ao mesmo tempo espantados com uma cena até então inédita. Ela nunca bebia e certamente nunca havia ficado bêbada na frente deles.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E pra piorar, eu tô aqui curtindo um projeto de dor de cotovelo e nem posso fazer como elas e encher o saco de alguém com isso, porque eu não sou assim. Eu não vou alugar ninguém por causa de problemas com homens. Eu detesto isso!" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas você pode falar com a gente. Vai, fala."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Falar o quê? Que eu tenho sido sistematicamente rejeitada no jogo amoroso? Que eu só levo nota zero? Que em todos os lugares que eu vou os homens só me olham e não tomam nenhuma atitude? Que os homens que me interessam são uns frouxos? É isso que vocês querem ouvir?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ué, mas se são esses os seus problemas, então é isso que a gente quer ouvir mesmo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu cansei, sabe. Eu cansei. Outro dia um sujeito me olhou numa festa e eu fiquei procurando ele por umas duas horas. Quando ele já tava indo embora, eis que o panaca veio até mim e disse que eu era linda. Era de se esperar que no mínimo ele me desse um beijo, mas o que ele fez? Nada. Zero. Ele foi embora e eu fiquei lá, com cara de palhaça, olhando ele ir."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E por que você não fez nada?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque eu sou uma idiota! Você já não sabia disso, caramba? Existe uma coisa chamada senso de oportunidade e ela não está no meu vocabulário comportamental. Sacou?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Um-hum."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu sou uma estúpida, uma tapada. E só os homens que não me interessam olham pra mim. Tirando esse mané que disse que eu era linda. Ele era um gato."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas será que você não é exigente demais?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O quê? Como é? Exigente demais?! Cê tá de sacanagem! Você quer que eu fique com qualquer um, só pra não voltar pra casa de mãos abanando? Eu não sou homem! Vocês é que fazem isso."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nem todos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah, nem todos o cacete! Vocês são todos iguais. São todos malucos, burros, confusos, indecisos ou covardes."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Os amigos sorriam e não retorquiram às acusações. Ela tomava mais um gole da vodka quando seus olhos bateram em alguém. Ela paralisou por um momento. Engoliu o resto da vodka, aprumou-se na cadeira e ajeitou os cabelos. Os amigos viraram na direção em que ela estava olhando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Quem tá aí?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ele. Ele, o tal."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O que te chamou de linda?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não. O diabo com cara de anjo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seus amigos não entendiam. Ela levantou da cadeira e foi em direção a um grupo de rapazes. Ela se aproximou de um deles e o cutucou no ombro.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Olá, moço!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O-oi."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele sorria constrangido. Ela flutuava em toda a coragem que a bebida lhe dava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Quem diria. Com tantos outros lugares mais prováveis e a gente se encontra logo aqui. Eu tô ali naquela mesa bebendo com os meus amigos. Quer dizer, só eu estou bebendo, eles estão só me acompanhando. Sabe como é, conversa de bêbado às vezes pode ser interessante. Mas é curioso encontrar você aqui, não? Porque era justamente sobre você que eu estava falando. Quer dizer, não exatamente você, mas homens, de uma maneira geral. Como vocês confundem a cabeça até da mais centrada das mulheres. A minha, por exemplo. Olha, está por aqui de confusão. Eu tive até que beber pra ver se colocava algumas das idéias no lugar certo, porque eu estava com uma certa dificuldade pra pensar. Coisas demais na minha cabeça, sabe como é? Pensar demais é ruim pra cabeça de qualquer um. Mas como eu ia dizendo, eu tava falando de você. Tava falando com eles sobre a maluquice que é tentar entender o que vocês pensam, o que vocês querem. Quando eu te vi, eu disse pra eles que você era o diabo com cara de anjo. Essa sua carinha de bobo é a perdição de várias garotas. Eu aposto que você já partiu o coração de um monte de meninas com o seu ar inocente. Mas elas eram meninas. Eu sou uma mulher. Falta muito pra você partir o meu coração. Essa carinha de anjo não basta."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele não reagiu. Ela continuava seu sermão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Outro dia mesmo um cara me disse que eu era linda. Olha só isso, linda, eu. Linda, inteligente, articulada, o escambau. De que isso me adianta? De quê? Se ninguém souber dar valor a isso tudo, então não serve de nada. Se só os caras errados repararem essas coisas, então eu estou frita. É melhor ir pra um convento."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas, sabe de uma coisa? Que se dane. É, que se dane. Eu disse pros meus amigos que eu não tenho senso de oportunidade. Pois bem, eu acabei de tomar uma atitude. E sabe do que mais? Eu não tô nem aí se vai dar certo ou não. Eu não quero saber. Eu tô jogando xadrez com a vida. Eu fiz o meu movimento e agora é a vez de vocês, homens, jogarem. E se não jogarem, o problema é de vocês. Eu desisto. Vou jogar uma mochila nas costas e procurar o Satori. Vou virar monja budista!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Um de seus amigos, ouvindo seu agora escândalo, se aproximou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vamos voltar pra mesa, vamos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vamos sim, eu só tava terminando de explicar pro moço aqui que eu desisti de entender o gênero de vocês. Por mim os homens podem ir todos pra Marte e fundarem uma grande colônia gay por lá. Quem sabe assim vocês não serão felizes, hein?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vamos, vamos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Seu amigo a pegou por um dos braços e a levou de volta pra mesa.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você tem certeza de que conhecia o sujeito? Será que você não tava falando com o cara errado?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela virou para trás e viu o diabo com cara de anjo ir embora, como se nada tivesse acontecido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vocês são todos iguais. Todos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-3219466249408839059?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/3219466249408839059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=3219466249408839059&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3219466249408839059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/3219466249408839059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/03/nervos-por-srta-jones.html' title='Nervos por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-9118050433380752410</id><published>2007-03-01T21:36:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T16:52:14.488-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Consulta por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"E onde dói mais?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Aqui, nas têmporas. Parece que estão esmagando a minha cabeça pelos lados."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Há quanto tempo você sente essa dor?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Humm, algumas semanas, uns dois meses, talvez."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E você lembra quando começou?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não, mas eu lembro que estava tomando um chocolate quente na hora."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Chocolate quente?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É. Não estava muito bom. Muito aguado."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sei. Bom, eu vou te passar um remédio para a dor e vou pedir que você faça uns exames, nada muito complicado."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pra saber se é um tumor?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"... n-não, não é para isso. Até porque não deve ser nada demais."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Um-hum. Não é um tumor então?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pelos sintomas que você descreveu, provavelmente não."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ok. Bom saber."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas mesmo assim é necessário fazer os exames, pra eliminar possibilidades."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eliminar possibilidades. Mas se provavelmente não é um tumor, então esta possibilidade está descartada, não está?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Probabilidade é diferente de possibilidade."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Então, o senhor está me dizendo que não é provável, mas que é possível?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"S-sim, é mais ou menos isso. Mas como não é provável, dificilmente será possível."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sei. Então o senhor elimina a probabilidade mas mantém a possibilidade?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, sim. Exatamente."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sei. Sei."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Entenda, nem tudo que é improvável é impossível, assim como nem tudo que é possível é provável, e tudo que é impossível é improvável."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Uh-huh. Entendi. Eu acho."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas nesse caso específico, sim, eu estou eliminando a probabilidade mas mantendo a possibilidade, já que tudo é possível."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nem tudo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas é claro que sim."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não é possível que chovam canivetes."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Claro que é. Se uma pessoa subir até o andar mais alto de um prédio e jogar vários canivetes em direção à rua, então estarão chovendo canivetes."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Então quer dizer que tudo é possível?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Exatamente. Nem tudo é provável, mas tudo é possível."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ok, ok. Bom, o senhor já fez a receita?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah, sim. Está aqui. E a guia para os exames."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bom, então, até a próxima consulta."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Até a próxima consulta."&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-9118050433380752410?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/9118050433380752410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=9118050433380752410&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/9118050433380752410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/9118050433380752410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/03/consulta-por-srta-jones.html' title='Consulta por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-117228193139753538</id><published>2007-02-23T23:36:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T16:54:28.071-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>O Salto por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Pula."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pula, vai."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"M-mas..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas nada, pula!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"M-mas e se der errado?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Como, dar errado? Por que você veio até aqui então?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu achei que devia."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você não tem que achar, você tem que ter certeza. O que você vai perder se pular? Você já está aqui!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas agora eu não sei mais..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você pensou durante quanto tempo? Quanto tempo até se decidir? Aposto que deve estar há um ano pesando os prós e contras. Não pode ser assim, tem que decidir, já."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Um ano não. Menos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Há, 'um ano não, menos'. Grandes coisas, que diferença faz? O problema é que você pensa demais."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu tenho medo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Medo? Se você realmente tivesse medo, não teria vindo até aqui. Aqui é lugar de corajosos. Quem pula daqui de cima, ao contrário do que dizem lá embaixo, não é louco."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu sei. Eu.. acho que sei. Mas e se não for como eu quero que seja? E-eu queria fazer isso para ser livre."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas você já é livre! É isso que você não consegue entender. Você é livre porque teve coragem suficiente pra subir."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não quero pular."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Há, você é impossível. Agora eu entendo porque todos desistem. Você espera demais!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Do que você está falando? Quem desiste?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Todo mundo. Todo mundo desiste de você, e quem ainda não desistiu, vai fazê-lo um dia, pode ter certeza."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não acho que as pessoas desistam de mim. Você acha?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu sei que elas desistem! Eu quero desistir. Você espera demais."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu preciso pensar."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não! Não, não, não! Você já pensou. Você já decidiu. Não tem como voltar atrás."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas é claro que tem."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Só se você quiser ser um covarde."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"..."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu vou pular."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Isso! Vai! Pula!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A corda tá firme?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sempre!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É agora."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vai com Deus."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-117228193139753538?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/117228193139753538/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=117228193139753538&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117228193139753538'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117228193139753538'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/02/o-salto-por-srta-jones.html' title='O Salto por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-117176621457007665</id><published>2007-02-18T00:56:00.000-02:00</published><updated>2007-04-02T01:36:18.058-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Enredo por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Ela voltou ao hotel, já bem tarde. Não sentia fome, mas queria ir ao restaurante porque acreditava na chance de encontrá-lo novamente. O dia todo foi gasto pensando nisso. Não se concentrou em livros, nem nos passeios pela cidade. As horas giravam todas em torno de um encontro que não estava marcado, e que podia não acontecer. Mas era a sua vontade.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela tomou um banho rápido e se arrumou. Ainda esperou por um tempo porque queria deixar a fome chegar. "Preciso de mais motivos para ir jantar agora", pensou. Mas a fome não chegava e ela decidiu partir assim mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia mais clientes no restaurante do que o habitual. Três ou quatro mesas estavam ocupadas, e novamente ela escolheu a que estivesse mais próxima da tv. O mesmo garçom a atendeu e já sabia o que ela iria pedir, e que ela preferia que a salada viesse junto com o prato principal. Enquanto esperava, não tirou os olhos da porta. Os minutos iam passando, o telejornal acabou, começou a novela, e nada. Talvez ele não viesse hoje. Ela só podia desejar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O jantar chegou e ela continuava sem apetite, mas precisava comer. Àquela altura a comida lhe parecia repugnante, tamanha era a sua vontade de esquecer o jantar e se preocupar apenas com o que lhe interessava. Aquele rosto que estava gravado a ferro em seu pensamento, os gestos quase vagarosos e a atenção sublime ao simples ato de mastigar. Aquilo era mais importante que todo o resto, inclusive a comida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O seu desânimo crescia à medida que os outros clientes iam se agitando com o desenrolar da novela. Ela não se importava com nada, estava vivendo seu próprio folhetim onde pareciam não faltar todos os elementos dramáticos da espera e da paixão. "Mas, paixão? Já?" Ela mesma se espantou com uma pretensa verdade mal disfarçada na sua falta de apetite. Encanto, enlevo, arroubo, talvez até mesmo paixão. Nomes diferentes para um só problema. Ela não queria mais comer. Mas a esse ponto ela conseguia, a duras penas, controlar certos caprichos e ceder a necessidades. "Afinal, eu vim aqui para isso."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E então ela comeu. Devagar, como sempre, talvez mais devagar que o habitual. Desistiu de olhar para a porta a cada 30 segundos e se concentrou no que estava fazendo. A novela acabou e os clientes começaram a sair, até que sobraram apenas ela e os garçons. Naquele momento ela havia recuperado o controle do que acontecia, ela novamente decidia os rumos de sua trama romanesca. E mesmo que ele não viesse, ainda assim ela terminaria seu jantar e não esperaria mais. Voltaria para o hotel e teria outra noite tranqüila de sono, adormecendo com fones ainda presos ao ouvido. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas e se ele vier?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;O apetite cedeu mais uma vez. Uma garfada ficou suspensa no ar. Ela levantou os olhos em direção à porta e o viu. Estava com o mesmo casaco da noite anterior. Como antes ele houvesse entrado no restaurante totalmente desapercebido do ambiente, desta vez ele notou sua presença. Naquele momento ela só atentou para sua chegada, mas minutos depois, relembrando o instante decisivo, entendeu o que seu olhar estava realmente dizendo. Era como se ele houvesse visto algo que não esperava, que não estivesse preparado para ver. Como se quisesse dizer algo, mas as palavras faltavam. E assim ele a olhou outras vezes naquela noite. E numa conversa muda, eles pareciam, aos poucos, se entender.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-117176621457007665?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/117176621457007665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=117176621457007665&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117176621457007665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117176621457007665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/02/enredo-por-srta-jones.html' title='Enredo por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-117159029140111470</id><published>2007-02-15T21:47:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T16:57:56.110-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Achado por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Era a terceira noite em São Paulo. Os dois primeiros dias foram difíceis. Ela sentiu solidão e arrependimento e só o frio aplacava os pensamentos ruins. Sentia um nó cego descendo e subindo pela garganta e às vezes chegando no coração. Mas no fim da segunda noite algo aconteceu e ela esqueceu de tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Havia um restaurante a duas quadras do hotel e ela jantava lá desde que chegara. Só havia dois garçons e era sempre o mesmo que a atendia. Ela escolhia a mesa mais próxima da televisão e esperava a refeição chegar, assistindo a alguma novela ou telejornal. No primeiro dia não havia clientes, mas naquela noite apareceu alguém. Ele estava sozinho e parecia não ser da cidade. Não devia ter percebido nada, pois sentou a três mesas de distância, mas ela acompanhou cada movimento seu da porta até a cadeira. Mesmo que ela não quisesse, não poderia deixar de olhar e não sabia dizer porquê. O jantar chegou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enquanto mastigava e ouvia uma notícia na tv ela observava. Ele tinha gestos contidos e não tirava os olhos da mesa. Fosse ela mais ousada iria até ele e se convidaria para sentar, mas ela não tomava certas atitudes. Preferia vê-lo de longe, como sempre fazia. Era como estar num museu e, no meio de objetos sem sentido ou valor, encontrar um quadro de Dalí. Ela contemplaria até seus olhos fecharem de cansaço e suas pernas adormecerem com cãibras. Talvez ela consideraria por alguns segundos falar com ele na saída, e consideraria outras coisas mas, como de hábito, ela não faria nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele terminou de comer, pagou a conta e saiu. Ela ficou paralisada por uns instantes porque lá dentro do seu cérebro ela ouvia risadas e galhofas contra sua atitude sempre infantil e sempre passiva de achar que certas coisas e pessoas são feitas apenas para serem vistas e nunca tocadas. Ela se comportava como se estivesse sempre naquele museu de bugigangas e um Dalí. Um elefante numa loja de porcelanas, o velho clichê. De novo, as risadas venceram, e ela continuou sentada, vendo televisão.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando chegou no quarto do hotel, jogou-se na cama e pensou no que tinha feito. E enquanto decidia se era ou não uma idiota, percebeu que o rosto dele não saía de sua mente, e nem a curiosidade sobre de onde ele tinha vindo. E que, talvez, se ela quisesse muito, ele estaria lá amanhã novamente. E esse pensamento puxou outros e ela dormiu, sem saber se afinal era mesmo uma idiota. Até porque isso não importava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E no dia seguinte tudo em que ela conseguia pensar era ele. E se iria encontrá-lo de novo, se ele estaria lá. Se ele se sentaria na mesma mesa, ou se, percebendo sua presença, escolheria um lugar mais perto. Ela tomou o café da manhã e leu os jornais e caminhou pela cidade sempre com os mesmos pensamentos. E assim mais uma noite chegou e ela, presa nas divagações, ainda não sabia, mas estava completamente perdida.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-117159029140111470?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/117159029140111470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=117159029140111470&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117159029140111470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117159029140111470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/02/achado-por-srta-jones.html' title='Achado por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-117106946939996982</id><published>2007-02-09T22:50:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T17:01:00.240-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>Princípio por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Essa é a última leva."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele entrava no quarto pela quinta vez. Já havia levado um armário, uma guitarra, algumas peças de roupas, dvds e livros que estavam emprestados há meses e agora pegava seus pôsteres. Era tudo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Então, eu soube que você vai viajar."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Um-hum. Vou."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pra São Paulo, né?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, pra São Paulo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Quando você voltar, a gente pode almoçar juntos, conversar."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, pode ser. Quando eu voltar."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Bom, eu já vou. Eu ainda tenho que ir trabalhar hoje."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ok. A gente se fala."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"A gente se fala. Tchau."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Tchau."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela fechou a porta e voltou para o sofá. Estava lendo o jornal quando ele chegou para levar tudo o que dele tinha ficado por lá. Eram tantas coisas, que ficaram tanto tempo em sua casa, e pareciam que de lá nunca sairiam. Mas elas saíram.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela não estava triste. Estava aliviada, na verdade. Era como se o ato de levar embora tudo o que ele havia deixado colocasse o ponto final que faltava. Até então, a frase parecia não estar terminada. Agora estava.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela não tinha muito a fazer naquele dia. Terminou de ler o jornal, tomou seu café, ligou a televisão, e assim ficou até a hora do almoço. Depois disso deve ter dormido ou lido algum livro, ela não se lembra. Quando a noite chegou, ela teve medo. Achou que o vazio que a vinha acompanhando há mais de um mês lhe estragaria o resto das horas. Ela não queria se isolar num misto de auto-piedade e desespero, então resolveu tomar um banho. Fazia frio e o calor da água embaçou o espelho. Quando ela voltou ao seu quarto, viu que alguém havia ligado para o seu celular. Era um amigo que devia estar bêbado em algum bar, esperando que ela fosse até ele prestar solidariedade. Ela não bebia, e não gostava de estar perto de gente bêbada. Mas ela não queria ficar ali.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vou sair."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela se vestiu rapidamente e verificou como estava o tempo. O frio havia aumentado. Ela foi até a cozinha e encheu um copo de plástico comum com café. Voltou ao quarto, vestiu seu casaco, jogou a echarpe rosa sobre os ombros e saiu. Ela estava livre.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-117106946939996982?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/117106946939996982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=117106946939996982&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117106946939996982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117106946939996982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/02/princpio-por-srta-jones.html' title='Princípio por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-117089585930094507</id><published>2007-02-07T22:43:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T01:46:11.647-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Pó por Srta. Jones</title><content type='html'>"E daqui a trinta anos, como vai ser?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Nós estaremos juntos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu sei. Mas e os nossos filhos? Nós vamos ter filhos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Talvez. Quantos você quer?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Quantos couberem num abraço."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dois, então."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dois, então."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por que você sempre acorda linda?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Como eu posso saber? E se você acha que eu fico linda de olhos inchados e cara amassada, você precisa ir ao oftalmologista."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você acorda linda. Sempre com um sorriso."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E sempre do seu lado. Isso explica muito."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E eu sempre acordo de mau humor. Mas aí eu viro na cama e vejo você. Não dura nem um segundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vai ser assim daqui a trinta anos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Daqui a trinta anos, cem, cinco ou seis mil. Não importa quanto tempo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Imagina se um terremoto acontecesse agora, nesse instante, e toda cidade virasse pó. E daqui a muitos mil anos os arqueólogos viriam até esse lugar e encontrariam os nossos esqueletos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Abraçados, assim."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Abraçados."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"A gente ainda tem trinta minutos. Vamos dormir mais?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Você dorme. Eu vou ficar acordada vendo você dormir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então a terra tremeu e tudo virou pó. Menos o amor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-117089585930094507?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/117089585930094507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=117089585930094507&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117089585930094507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/117089585930094507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/02/p-por-srta-jones.html' title='Pó por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116892251272024054</id><published>2007-01-16T02:23:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T01:46:52.786-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>De partida por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;A dor começou na sexta de manhã. Era uma pressão no peito, bem no meio, parecia um elefante sentado sobre uma formiga. Se fosse um pouco mais à esquerda e para baixo, pensaria que era o coração. Mas era bem no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Piorava quando eu saía. Quando eu falava com pessoas, quando eu me lembrava. Em casa, eu tinha que me preocupar com outra dor. Quando eu estava sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, só hoje, eu não senti dor quando estava com outras pessoas por perto. Nenhum dos convivas de hoje me lembrava do que eu não queria sentir. Ninguém ali, nenhum rosto, nenhuma memória. Só risos, risadas, sorrisos. Amigos novos, amigos velhos, conhecidos, desconhecidos. Ninguém lembrava. Nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei sozinha no ponto de ônibus e a dor voltou. Percebi que ela havia mudado de capricho. Agora doía mais quando ficava só. Doeu enquanto caminhava para casa. Segurei as chaves e lembrei. Quando cheguei, pensei de novo nos amigos. E aí parou de doer. Amigos maravilhosos eu tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vou partir sozinha. Não sei se vai doer. Só vou saber quando chegar. Até lá tenho mais amigos para encontrar. Mais dor para sentir? Só o tempo, só o tempo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116892251272024054?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116892251272024054/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116892251272024054&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116892251272024054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116892251272024054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/01/de-partida-por-srta-jones.html' title='De partida por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116805644114612889</id><published>2007-01-06T01:22:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T17:05:18.717-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>De novo, só mais uma vez por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"Eu sou jovem demais para viver assim."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E foi com esse pensamento que ela enrolou a echarpe rosa no pescoço e saiu rumo à calçada. Ela ainda não sabia exatamente para onde deveria ir, ou o que deveria fazer. Este era o frescor de uma nova atitude, uma excitação que ela sabia desconhecer. Um passo à frente, dois suspiros por causa do frio - seus braços envolviam a cintura e apertavam o casaco vermelho ainda mais rente ao corpo. "Queria sempre viver assim. Sem saber onde ir, ou por onde começar." Com apenas o calor do seu corpo e do café queimando a barreira de ar frio que se formou em torno da vida.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na primeira esquina, um casal de idosos que esperavam uma filha entretida num baile comunal qualquer. Seus olhares nervosos equilibravam a solenidade calma com que se prostavam em frente à porta de entrada de uma velha barbearia. Ela meneou um "boa noite" e seguiu caminhando como se quisesse enganar a todos e fazê-los crer que sabia exatamente para onde estava indo.Ela caminhou por ainda mais algumas poucas dezenas de minutos e por muitas lojas fechadas, bares repletos de bêbados da meia-noite e estudantes arruaceiros aproveitando o indulto de fim de semana. Os carros passavam com suas buzinas zunindo e seus condutores rezando por um cruzamento livre. O ar ficava cada vez mais gelado mas ela obstinava em seguir, porque sabia com toda a certeza que aquele tinha sido o último dia em que viveria daquela velha maneira. Tudo era novo dali por diante, e tudo o que ela precisava fazer era seguir em frente.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela finalmente avistou a porta amarela a rua já estava tomada de tipos estranhos e diletantes em busca de reconhecimento rápido. Ela não tardou em procurar o lugar mais afastado o possível daqueles modistas de última hora, e encontrou seu casulo numa lanchonete que, apesar do avançado da hora, funcionava ali a pleno vapor, abrigando os degredados da noite e os solitários. Ela foi até o balcão e pediu uma xícara de café. A televisão ligada transmitia um daqueles filmes de fim de noite, e casais escondidos em mesas de canto confidenciavam prazeres culpados sobre copos e mais copos de gim. Ela não se prendeu em nenhum foco específico até seu café chegar e tomar toda sua atenção. O calor da xícara esquentou suas narinas e maçãs do rosto, e ela se sentiu confortável de novo. Uma onda de energia passou próxima de seu braço, e ela sentiu que alguém havia se sentado ao seu lado. Ela não tinha certeza se deveria virar e olhar quem era, e o café estava muito bom para ser negligenciado naquele exato momento. Ela calculou que seria melhor esperar alguns segundos, mas a pessoa que havia gerado aquela onda de energia decidiu não esperar por ela. Ele chamou seu nome. Ela não pôde fazer nada além de responder.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Oi."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você aqui? Que surpresa. Eu pensei que esse tipo de lugar te causasse repulsa."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não hoje."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não hoje? E por que não?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque hoje eu decidi que vou viver. Mesmo que pra isso eu tenha que me misturar aos porcos."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu sabia que você não tinha mudado em nada."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Aí é que você se engana. Tá vendo esse café aqui? É a única coisa que eu vou guardar da minha antiga vida. Isso e as roupas."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas você não acha que esse café vai acabar ficando velho? E frio?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela sorriu para a piada sem graça dele. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não se esqueça dos cds, e dos dvds. E dos livros também. Você não consegue viver sem seus livros."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu consigo viver sem qualquer coisa, porque eu posso viver com qualquer coisa."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Muito filosófico. Não entendi nada."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não é pra entender. Você por acaso entende estado de espírito? Você não entende essas coisas, você sente. Aqui. Se você tentar entender vai acabar não sentindo nada."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sei. Mas por que mesmo você está aqui?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque eu resolvi tapar o meu nariz e dançar no chiqueiro."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Se isso te satisfaz."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela deu de ombros e terminou de tomar o café. Pagou com os trocados que tinham ficado no bolso da calça e se levantou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você vai ficar aí?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vou. Tô esperando uns amigos meus."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não estou esperando ninguém. Eu vou entrar logo na lama porque só existe uma pérola e ela tem de ser pega por mim."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você e os porcos. Vai ser uma briga interessante."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Desde que eu consiga vencer."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ela acenou com a cabeça e saiu. A porta amarela estava escondida atrás de uma enorme fila. Ela foi direto até o segurança e mostrou sua carteira. Ele sorriu e levantou a corda para que ela entrasse. A caça ao tesouro havia começado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116805644114612889?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116805644114612889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116805644114612889&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116805644114612889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116805644114612889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2007/01/de-novo-s-mais-uma-vez-por-srta-jones.html' title='De novo, só mais uma vez por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116595639720963299</id><published>2006-12-12T18:26:00.002-02:00</published><updated>2007-03-25T01:48:17.937-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diálogos'/><title type='text'>Telefonema por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Hoje eu recebi um telefonema. Antes de atender, olhei o visor do telefone para saber quem estava ligando, mas não aparecia número nenhum. Achei estranho, mas atendi mesmo assim. Do outro lado da linha, um homem com voz rouca e cansada. Parecia ter vindo de muito longe para fazer aquela ligação. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;"Alô? Quem fala?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu tenho uma coisa para te dizer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Alõ, quem está falando? Com quem deseja falar?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu tenho uma coisa para te dizer. Você precisa ouvir."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas quem está falando? Quem é você?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isso não importa. Você vai saber depois de escutar o que eu tenho para dizer."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o que ele tinha para dizer era mais ou menos isso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"It’s no secret that the stars&lt;br /&gt;Are falling from the sky&lt;br /&gt;It’s no secret that our world&lt;br /&gt;Is in darkness tonight&lt;br /&gt;They say the sun is sometimes eclipsed by a moon&lt;br /&gt;I don’t see you when she walks in the room&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It’s no secret that a friend is someone that lets you help&lt;br /&gt;It’s no secret that a liar won’t believe in anyone else&lt;br /&gt;They say a secret is something you tell another person&lt;br /&gt;So I’m telling you, child&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Love&lt;br /&gt;We shine like a burning star&lt;br /&gt;We’re falling from the sky&lt;br /&gt;Tonight&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;A man will beg&lt;br /&gt;A man will crawl&lt;br /&gt;On the sheer face of love&lt;br /&gt;Like a fly on a wall&lt;br /&gt;That’s no secret at all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It’s no secret that a conscience&lt;br /&gt;Can sometimes be a pest&lt;br /&gt;It’s no secret that ambition bites the nails of success&lt;br /&gt;Every artist is a cannibal&lt;br /&gt;Every poet is a thief&lt;br /&gt;All kill their inspiration&lt;br /&gt;And then sing about the grief&lt;br /&gt;Oh love&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Love&lt;br /&gt;We shine like a burning star&lt;br /&gt;We’re falling from the sky&lt;br /&gt;Tonight&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A man will rise&lt;br /&gt;A man will fall&lt;br /&gt;From the sheer face of love&lt;br /&gt;Like a fly on a wall&lt;br /&gt;That’s no secret at all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achtung, y’all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Love&lt;br /&gt;We shine like a burning star&lt;br /&gt;We’re falling from the sky&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tonight&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A man will rise&lt;br /&gt;A man will fall&lt;br /&gt;From the sheer face of love&lt;br /&gt;Like a fly on a wall&lt;br /&gt;A man will rise&lt;br /&gt;A man will fall&lt;br /&gt;From the sheer face of love&lt;br /&gt;Like a fly on a wall&lt;br /&gt;That’s no secret at all&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It's no secret that the stars&lt;br /&gt;Are falling from the sky&lt;br /&gt;The universe exploding&lt;br /&gt;'Cause of one man's lie&lt;br /&gt;Look, I gotta go&lt;br /&gt;Yes, I'm running outta change&lt;br /&gt;There's a lot of things&lt;br /&gt;If I could I'd rearrange"*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas, o que é isso?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"É a mensagem que eu tenho para você. Pense bastante em cada palavra, e um dia você vai entender. Agora eu preciso ir. Minhas moedas estão acabando. Adeus."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E ele desligou o telefone. Assim mesmo, sem explicar o que estava querendo dizer. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;----------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(*U2 - "The Fly")&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116595639720963299?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116595639720963299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116595639720963299&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116595639720963299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116595639720963299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/12/telefonema-por-srta-jones_116595639720963299.html' title='Telefonema por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116587214629550200</id><published>2006-12-11T18:39:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T17:08:17.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contos'/><title type='text'>A Entrevista por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Estava preparada para a entrevista. Que perguntas deveria fazer, que tipo de resposta esperar, qual a postura que deveria manter durante a conversa. Tinha sido tudo planejado para ser o mais informal possível, mas eu não conseguia deixar de ficar nervosa. Era o trabalho mais importante da minha carreira, quiçá da minha vida. Era tudo ou nada.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao local alguns minutos antes do combinado, mais precisamente vinte minutos antes. Queria conhecer o lugar, sentir a atmosfera, decidir se o ambiente seria favorável ou não às minhas perguntas. Sabia que tudo poderia influenciar as respostas que iria receber.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Ele chegou na hora marcada, com a casualidade de quem espera um amigo para sair pela noite. Estava muito bem vestido, melhor do que eu poderia imaginar. Não parecia em nada com alguém que vinha portando más notícias. Era um homem em paz, sereno, de bem com o mundo e com sua própria consciência. Era a imagem da confiança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Nos apresentamos, ou melhor, eu me apresentei a ele, e nos sentamos num confortável e imenso sofá do lobby do hotel. O couro branco dava a falsa sensação de que ali havia paz. Mas eu me sentia como uma correspondente de guerra entrevistando um soldado da ONU. Era uma missão oficial e a minha vida pelos próximos dias dependia do que aquele homem tinha para me dizer.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Com a mão trêmula, segurei meu pequeno bloco de anotações e começei a ler a primeira pergunta. O processo todo deve ter levado pelo menos uns cinco minutos, porque quando dei por mim já havia lido as três páginas com todas as perguntas da entrevista. Ele se manteve em silêncio durante todo o tempo, como se estivesse diante de um ritual de imolação e não pudesse fazer nada para interromper. Talvez porque realmente não o quisesse.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Abaixei o bloco e com o que restou de coragem o encarei. Esperava que, no meio daquele turbilhão de palavras e saliva ele tivesse conseguido compreender pelo menos uma ou duas perguntas. Mas o que ele tinha em mente não respondia a nenhuma delas.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Acabou."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"O quê?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, acabou."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas, como? Vocês não iam sair em turnê no mês que vem?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Íamos. O verbo está no passado. Não vamos mais."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas o que aconteceu? Vocês estavam indo tão bem, o disco de vocês está em primeiro lugar e as músicas estão tocando em todas as rádios do país? O que aconteceu?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu não sei."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas como não sabe? Você é o líder da banda, você tem que saber o que está acontecendo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Eu acho que me desinteressei, sabe?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Não, eu não sei. Eu realmente não sei."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Isso acontece, não dá pra explicar. Às vezes a gente pensa que ama uma coisa, que encontrou o caminho certo, mas um dia a gente acorda e vem aquele estalo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E o que esse estalo diz?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Que a gente tem feito a coisa errada. Que é hora de pôr fim em tudo e começar de novo."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas e os fãs? E os outros membros da banda?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Ah, eles não vão morrer por causa disso."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você não sabe."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Claro que sei, se eles viveram antes da gente surgir, por que não podem viver quando a gente desaparecer?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque vocês mudaram a vida dessas pessoas. Me diz, você viveu boa parte da sua vida sem internet, certo?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Um hum."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"E hoje você precisa da internet para fazer várias coisas importantes da sua vida, não precisa?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Sim, claro."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Então suponha que um dia alguém decida que você não vai poder usar a internet, nunca mais na sua vida. Você vai sentir falta, não vai?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Vou, mas não vou morrer por causa disso."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas a sua vida nunca mais vai ser a mesma."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas é tudo uma questão de hábito, de necessidade."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nem sempre. Você viveu sem isso durante muito tempo mas a partir do momento em que isso começou a fazer parte da sua vida você não consegue mais controlar o quanto precisa disso."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, pode ser. Mas dá para viver mesmo assim."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É claro que dá. Assim como dá pra viver sem uma perna. Mas isso não quer dizer que a perna não faça falta."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Você tá comparando a banda à uma perna amputada?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"É, mais ou menos. Se eu perder minha perna hoje, dependendo das circunstâncias e do tempo de recuperação, eu posso sobreviver. Mas nunca mais vou ter o mesmo equilíbrio que tinha antes."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas você pode usar uma perna mecânica."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Mas não é a mesma coisa. Não é uma perna de verdade, não faz parte de mim. Aquilo não me completa."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Olha, as coisas não são tão complicadas assim. A banda acabou, do mesmo modo como começou. As coisas acontecem sem que a gente possa realmente explicar. É que nem paixão, ela pode surgir quando você menos espera, e acabar quando você menos deseja. É assim."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Pois eu acho que não é nada parecido com paixão, porque toda paixão um dia tem que acabar. Pra mim é como amor. Amor só acaba quando a gente morre."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nossa, que fatalista. E que romântica."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Nem uma coisa nem outra. Eu só acho que algumas coisas nessa vida acabam, e outras não. Pra mim o amor não acaba. É que nem energia, não morre, mas se transforma."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Agora você embolou física com música e amor. E eu duvido que você possa aproveitar tudo isso pra sua entrevista."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Esqueça a entrevista. Agora que acabou, eu não tenho mais nada pra fazer aqui."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Me levantei, apertei sua mão e saí do hotel. Do lado de fora, a praia me abraçou com seu vento úmido. Peguei o primeiro táxi que apareceu e pedi para ir a qualquer lugar, desde que me tirasse dali. O rádio do carro estava ligado, e uma música começou a tocar. Era a música deles. Uma lágrima desceu o meu rosto, abrindo caminho para as outras que queriam sair. E ali eu tive certeza de que tudo precisava continuar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"Porque o verdadeiro amor não acaba nunca. E nem a boa música."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116587214629550200?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116587214629550200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116587214629550200&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116587214629550200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116587214629550200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/12/entrevista-por-srta-jones.html' title='A Entrevista por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116571274499231045</id><published>2006-12-09T22:36:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T17:09:51.037-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Compreensão por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nós estávamos comemorando o aniversário de uma amiga. Era uma casa do tipo sobrado, com um palco e um bar no térreo e um mezanino no segundo andar. A discotecagem era, como de costume, ruim, mas alguns acordes romperam e eu sabia que aquela era a minha música. Eu comecei a cantar junto, sentindo cada palavra explodir e formar um grande nó em minha garganta. Eu queria que ele soubesse o que eu estava sentindo, mas ele só conseguiu demonstrar que achava a música ruim. "Que música sem graça", foi o que ele disse. E eu continuei cantando, porque sabia que ele não era capaz de ver além do meu sorriso a verdadeira razão para eu cantar. Era a música que falava sobre a minha dor, sobre o que eu perdi. A letra que contava o meu sofrimento de uma maneira que eu jamais poderia fazer. Uma canção sobre luzes e sobre sentir o passado se desfazer e o futuro nos tornar cruéis com quem já fomos. É sobre mudar e esquecer todas as lições que a juventude traz. A voz canta, "The more you know/ the less you feel". Ele aprendeu que quanto mais conhecemos o mundo, mais perdemos a capacidade de sentir dor, de nos apiedar. Quanto mais vemos, menos sentimos. Caminhamos para o fim trocando o sangue e a carne por uma couraça que nos impede de sofrer. Uma anestesia que nos torna cada vez mais insensíveis, até pararmos por completo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não sabia disso. Nunca quis saber. Essa música, de uma certa maneira, falava de nós. Falava de tudo o que estávamos perdendo, e do que ainda íamos perder. De como o tempo nos enganou e nos trapaceou, e transformou o que era tão bonito num sentimento vazio e sem salvação. "Can you see the beauty inside of me? / What happened to the beauty I had inside of me?" O que aconteceu com nós dois? O que aconteceu com a beleza que havia no que nós dois dividimos por tanto tempo? Será que todo sentimento é como uma flor, que inexoravelmente tem que morrer? Será que tudo no mundo tem que perecer e deixar de existir? A vida é mesmo uma sucessão de perdas, onde pouco se ganha? Eu sempre acreditei em soluções, em contornar situações ruins e resolver problemas. Mas quando as coisas mais importantes da minha vida começaram a morrer, eu vi que não tinha respostas para tudo. Quando eu mais precisei, as minhas soluções deixaram de funcionar. Quando eu tive que ser mais forte, eu me tornei impotente. Quando eu não queria perder, eu tive que deixar ir. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;"And I miss you when you're not around&lt;br /&gt;I'm getting ready to leave the ground"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Na cidade das luzes ofuscantes.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116571274499231045?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116571274499231045/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116571274499231045&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116571274499231045'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116571274499231045'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/12/compreenso-por-srta-jones.html' title='Compreensão por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116553419471256096</id><published>2006-12-07T21:19:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T01:50:32.587-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Ruptura por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Vi uma notícia medonha na internet hoje. O presidente e sua mulher querem adotar uma criança. Estão aderindo à mais nova moda entre os desocupados e endinheirados do mundo: usar crianças carentes de tudo para fazer auto-promoção. Normalmente, eu enviaria o link desta notícia para ele. Mas não posso mais fazer isso. Para quem eu vou mandar a notícia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo dia aparece alguma coisa que eu quero dividir com ele. Todo dia vai aparecer. Mas ele não está mais aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro de como sentia isso todos os dias depois que meu pai morreu. Continuo sentindo. Uma piada, um filme, alguma coisa que só ele iria entender. De novo, eu fico sem referências por causa de um homem. Homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É muita atenção, muita energia, muito amor e muito tempo dedicados a uma só pessoa. E não era qualquer pessoa. Era "o homem da minha vida". Mas o homem deixou de ser meu para ser do mundo. O meu homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram tantas piadas, tantas músicas, tantos dias e noites maldizendo juntos os idiotas do mundo. Com quem mais eu vou fazer isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã vai ser um dia difícil. Às 18h eu provavelmente estarei lutando contra uma dor muda e assassina. Uma dor de saudade. Mas vou lembrar que será uma noite alegre. Não feliz, mas pelo menos alegre. Eu vou sair e ver as luzes. Abraçar as amigas e dar boas vindas à madrugada, dançando e bebendo uma coca-cola. Mais uma coisa que eu gostava de fazer do lado dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ele não está mais aqui.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116553419471256096?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116553419471256096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116553419471256096&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116553419471256096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116553419471256096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/12/ruptura-por-srta-jones.html' title='Ruptura por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-116518230967349725</id><published>2006-12-03T19:27:00.000-02:00</published><updated>2007-03-25T17:10:49.323-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Desilusão por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu construí um castelo com as cartas que ele me deu. Você sabe o que dizem sobre castelos de cartas. Algum dia, inevitavelmente, eles vão cair. O dia chegou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu tenho uma vocação para os casos perdidos. Eu sou aquela pessoa que resiste até o fim. Como a palmeira que o vento dobra mas nunca consegue quebrar. Eu sou assim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Eu resisti, o mais que pude. Mesmo com a ventania, a tempestade, o sol escaldante e a chuva de areia nos olhos. Eu resisti. E o meu prêmio por chegar até o final foi uma declaração de desamor, arrancada à força. Ninguém resiste ao impulso de dizer que ama. Mas quem consegue admitir que não ama mais? Por que sobrou para mim a ingrata tarefa de ter que dizer a verdade, que não era nem a minha verdade? Eu ainda amo mas fui eu quem disse as palavras. "Você não me ama mais". É como dizer ao carrasco: "Eu mesma me enforco". A minha honestidade é mais forte do que o meu apego. Eu preciso deixar ir, e não ter esperanças de ver voltar. A esperança não pode me deixar cega. Não há espaço para a ilusão neste novo lugar em que estou.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;As pessoas me dizem que não existe algo como não amar mais. Eu também não acredito nisso. Acredito em duas coisas: amar para sempre e não amar nunca. Ou ele me ama mas não consegue ver, ou nunca me amou. Estou inclinada a admitir a segunda hipótese. É a que me parece mais plausível. Os sinais estavam todos na minha frente, desde o começo. O desencanto era antigo, assim como o medo. Por muito tempo eu me senti como um desvio de percurso. Uma pessoa pode pegar quantos atalhos quiser, mas vai chegar o momento em que ela precisa olhar para a frente e caminhar em linha reta. Eu deixo de existir nesse exato momento. Eu sou só o desvio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E assim eu sigo, exterminando ilusões.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-116518230967349725?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/116518230967349725/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=116518230967349725&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116518230967349725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/116518230967349725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/12/desiluso-por-srta-jones.html' title='Desilusão por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-114048093853663988</id><published>2006-02-20T20:10:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T01:51:23.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Sacrifício? Mas que nada...  por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Muita gente sabe o que é ser fã. Fã "de verdade", que tem obra completa e vai até o fim do mundo por uma chance de ter mesmo o mínimo contato com o que se idolatra. É fácil se debruçar de coração aberto sobre um livro ou disco que nos marque em algum momento de nossas vidas. Difícil é estabelecer o limite que separa a admiração apaixonada do fanatismo infantil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é a história de uma fã. Uma fã do U2. Oportuno falar sobre isso agora, não? Mas, por isso mesmo, a história deve ser contada. É o momento que cria a oportunidade perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou fã desde os 11 anos. Conheço a banda há mais tempo, mas o estalo, o momento mágico, veio no começo dos anos 90. Foi o descortino de uma luz que sempre esteve presente, escondida em algum lugar. Amor à milionésima vista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha história como fã é longa, e certamente aborrecida. A virada na minha rotina de ouvir U2 religiosamente todos os dias e rezar por uma chance de vê-los num show veio em 1998. O ano da primeira apresentação da banda no Brasil. Eu era adolescente e minha vida era um recorte de várias músicas do grupo. O dia que eu esperei com o ardor de uma debutante chegava no final de janeiro. Tudo de que eu precisava era ter o ingresso em mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada poderia ter sido mais fácil. Naquela época, gostar de U2 não era algo muito bem visto entre adolescentes (trocando em miúdos, não era "legal" ouvir U2). O rock não passava por um bom momento, não havia muito público entre os jovens de classe média e ser "roqueiro" era nadar contra a maré. Talvez isso explique a absurda facilidade com que eu adquiri o tão desejado ingresso. Foram pouco mais de 20 minutos de espera. Eu era, se bem me lembro, a quinta pessoa na fila. Saí da loja R$50 mais pobre e infinitamente mais feliz. Eu flutuava a caminho de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, em 2006, oito anos depois, eu previ dificuldade apenas média para adquirir minha entrada para o novo show da banda no Brasil. Estou consciente da nova onda de fanatismo dedicado ao U2, mais avassaladora do que a de 98. Pessoas dormindo nas filas, gente que veio de outros estados para comprar aqui no Rio as entradas para o show do dia 20. Acreditando que as vendas começariam em 14 de Janeiro, lá fui eu com uma amiga ao supermercado em Copacabana. Chegamos por volta das 10h e não vimos ninguém. Estranho. Muito estranho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entramos. Dirigi-me à primeira pessoa de uniforme que encontrei e perguntei sobre a venda de ingressos. "Não é hoje, só começa na segunda." Ah, internet! Quantas informações desencontradas você fornece.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos, eu e minha amiga, na segunda, dia 16. Chegamos mais cedo, por volta das 9h20, e nos deparamos com uma fila que, desculpe o clichê, parecia não ter fim. Dobrava a esquina, e quase chegava à praia. Nos posicionamos naquilo que era o final da fila, pacientes, resignadas, esperançosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sete horas, uns trinta reais e muito sol na cabeça depois, sair da fila parecia ser a única opção viável e racional. O show do U2 seria só no dia 20, mas o espetáculo já havia começado. A "organização" foi de tal maneira pouco profissional que não havia sequer uma pessoa encarregada de nos passar informações sobre o que ocorria de verdade e sobre o início real das vendas. Sabe a fila do INSS? Guardadas as (muitíssimo) devidas proporções, estávamos na versão "show de rock" de uma delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando decidi sair da fila, de mãos vazias, com dor nas pernas e queimada de sol, não só abri mão de conseguir um ingresso. Também estabeleci a fronteira de minha paixão. Fiz sacrifícios pelo U2 em 98, mas nenhum deles me humilhou e arruinou minhas esperanças. Espera em vão não é a mesma coisa que esperar muito por algo que é certo. Não é mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para quem sonhava acordada com o show, a maratona do dia 16 foi uma balde de água com gelo ártico. Não sei se é a idade (tá, não sou velha, mas também não sou uma garotinha), mas o meu entusiasmo hoje é bem mais vulnerável às influências externas. Seria fácil desistir de ir ao show, mesmo com todo o "fanatismo". Eu cheguei a fazê-lo algumas vezes, mas sempre mudava de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao saber que as vendas para o segundo show seriam por telefone, o nível de vontade de ir diminui um pouco mais. Porém, é teoricamente mais fácil ficar horas com um telefone grudado ao ouvido do que em pé numa fila num dia de alto verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram aproximadamente quatro horas de muito "tu-tu-tu...", "desculpe, nosso sistema está indisponível no momento" e "todos os nossos troncos estão ocupados, por favor, tente mais tarde". É cansativo, é frustrante, e é um jogo de azar. E, por sorte (e teimosia), às 23h57 do dia 5 de Fevereiro, eu fui provavelmente uma das últimas pessoas a adquirir um par de ingressos para o show do U2. Depois da epopéia em busca da entrada perdida, o mínimo que eu esperava conseguir era um ingresso de pista. Mas até nisso eu fui passada para trás. Literalmente. Tive que me contentar com ingressos de arquibancada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã, por volta das 21h, se você ligar para minha casa e não me encontrar, não se preocupe. Estarei sentada (ou tentando sentar) numa arquibancada do setor vermelho do Estádio do Morumbi, em São Paulo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-114048093853663988?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/114048093853663988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=114048093853663988&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/114048093853663988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/114048093853663988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2006/02/sacrifcio-mas-que-nada-por-srta-jones.html' title='Sacrifício? Mas que nada...  por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-112456608127866992</id><published>2005-09-16T21:12:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T01:51:13.733-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Obsolescência por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;[Do lat. obsolescere, 'tornar-se obsoleto', + -ência.]S. f. 1. O fato ou o processo de tornar-se obsoleto. 2. Econ. Redução da vida útil e do valor de um bem (equipamento industrial, p. ex.) devido ao aparecimento de modelo tecnologicamente superior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das cinzas às cinzas, do pó ao pó. Tudo o que sobe desce. Nada é para sempre.&lt;br /&gt;Quantos milhares de chavões conhecemos para falar de uma coisa só, uma coisa inevitável, pendente, que chega sem aviso ou que já se espera há muito? Todo mundo sabe o que é ficar obsoleto. Todo mundo um dia vai saber o que é &lt;strong&gt;ser&lt;/strong&gt; obsoleto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você conhece algo, dá aquilo por certo, garantido. Como tudo o que é confiável, você espera que aquilo esteja sempre à disposição quando você precisar. Mas eis que algo sempre atropela a tradição. Um trator chamado modernidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou contra a modernidade. Acho que, como qualquer outra coisa no mundo, ela é algo de que eu devo sempre tentar tirar o melhor, e se em algum momento ela se volta contra mim, eu a afasto até tudo voltar ao normal. Eu gosto de tv's, computadores, internet rápida, celulares de tela colorida e toques polifônicos. Mas se a evolução se transforma num jogo de rotatividade impossível de acompanhar, eu simplesmente desisto. É assim que se delineia o limite entre ser uma consumidora capitalista do Ocidente e um caso para os "Consumistas Anônimos".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca abri mão de desejar e idealizar objetos que estão na minha vida antes mesmo de ter tamanho suficiente para comprá-los eu mesma. Até hoje eu adoro os Ursinhos Carinhosos, a Moranguinho (aliás, brinquedos que estão prestes a voltar para as lojas. Crianças, me aguardem), penso na época (que eu vivi, garanto) em que os cosméticos da Helena Rubinstein eram baratos (agora nem mais são importados no Brasil) e lembro do vídeo cassete da Philco-Hitachi (quando ainda existia a Philco-Hitachi). Cresci com crença e confiança em produtos que minha mãe (e provavelmente minha avó também) sempre avalizou. Pomada Hipoglós, Leite de Colônia, Creme Nívea, Creme Ponds. (Antes de continuar, não, esta "crônica" não foi inspirada no mais recente arroubo de saudosismo do Xexéo. Um caso real de "dei com a porta na cara" me motivou a escrever estas linhas.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sou alérgica, muito alérgica. Muitas pessoas já me perguntaram se eu uso cremes no rosto, porque, dizem elas, (um pouco de vaidade é preciso) eu tenho uma pele "ótima". Não, eu não uso cremes no rosto, justamente por ser tão alérgica que nem mesmo desodorante com fragrância pode entrar na minha higiene diária. Mas eu vivo numa cidade que, além de razoavelmente poluída, me presenteia com mudanças de tempo tão constantes quanto bruscas, levando meu rosto ao desagradável mundo do ressecamento (e das rugas prematuras em torno dos olhos). Sempre recorri às escolhas seguras quando se trata da pele do meu rosto, porque qualquer coisa ousada pode causar um erro fatal. O creme Ponds (assim como o Nívea que, verdade das verdades, não tem efeito nenhum no meu rosto a não ser uma oleosidade indesejável) foi uma dessas escolhas seguras quando eu tinha os meus 15, 16 anos. Era uma coleção de potinhos charmosos, baratos e que duravam uma vida. E que realmente funcionavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, o tempo passou, o Rio não mudou e muito menos a minha pele alérgica. Então eu ainda enfrento as eventuais placas vermelhas e descamações com desconfiança nos produtos muito modernos e fé nos creminhos velhos de guerra de farmácia. Nada realmente faz milagres, e nada até hoje salvou completamente a minha pele dos acessos de alergia (a não ser a pura sorte e os genes), mas eu sempre soube que podia contar com uma ou duas opções que amenizariam o problema. E eu precisei de uma dessas soluções há uns meses atrás. E eu não encontrei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre acreditei que esse dia iria chegar. DMAE, Vitamina C, todas essas novidades que emplacam, ano após ano, nas prateleiras de (cada vez mais) farmácias - tornando, senão banais, pelo menos um pouco menos inacessíveis as águas da fonte de juventude que jorra com cremes que custam entre R$100 e R$900 - iriam derrubar, um por um, os que ficassem para trás no jogo darwinista da tecnologia. O creme Nívea, eu imagino, ainda se agüenta nas pernas porque a cada ano o laboratório na Alemanha adapta alguma novidade que já é notícia velha no circuito dos cosméticos de luxo. Mas o que fazer quando tudo que você põe no mercado são produtos para o rosto que já têm centenas de similares mais chamativos e "eficazes" (leia-se "propaganda mais sensacionalista")? Mesmo que esses similares não estejam à altura, a propaganda é a alma do negócio, e se você não muda a embalagem e chama alguma atriz para fazer o comercial na tv, seu produto já era, baby. Você perdeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu perdi. Fui à farmácia um dia, cheia de esperança, procurei nas prateleiras de cremes, procurei até em outras prateleiras, até que resolvi perguntar a uma vendedora. "Vocês têm Creme Ponds? Aquele dos potinhos pequenos?", e ela responde "Ih, já faz um tempo que não vem aqui pra loja." (Tá, isso acontece, você quer um determinado produto e tem certeza de que vai encontrá-lo em qualquer lugar, mas não encontra em lugar algum. Não quer dizer que o tal produto não exista mais, é só um problema na distribuição ou coisa que o valha.) Eu não desisto, vou a outra farmácia. Procuro nas prateleiras, não acho. Pergunto à vendedora. Ela responde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Saiu de circulação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As três palavras mais aterrorizantes que você pode ouvir num momento desses. Mas não é possível. Como assim, "saiu de circulação"? Deve haver algum lugar que ainda tenha o creme no estoque. Eu não posso estar tão atrasada assim na novela da evolução tecnológica. Então, eu vou à outra farmácia. Nem olho direito nas prateleiras e já vou perguntando à senhora de uniforme. "Não é fabricado mais, não tem não."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É. Como o fim de um romance, acabou. Não tem volta. O seu produto dos sonhos de infância sumiu no mundo e não deu notícias. Desista. Compre a primeira coisa de aparência confiável que você encontrar. No seu íntimo você sabe que nada nesse mundo é substituível mas a necessidade faz a mulher e você precisa. Se não servir, continue procurando. Perde-se o sapatinho de cristal, mas sempre se pode encontrar um chinelinho de dedo que alivie a dor daquelas bolhas que o sapato lindo, maravilhoso, novo e duro te deixou. Nessas horas, e para o resto dos dias, vale sempre mais um chavão. "A vida é um eterna busca."&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-112456608127866992?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/112456608127866992/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=112456608127866992&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/112456608127866992'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/112456608127866992'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2005/09/obsolescncia-por-srta-jones.html' title='Obsolescência por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-13680560.post-111880036676020945</id><published>2005-06-14T22:32:00.000-03:00</published><updated>2007-03-25T01:51:33.031-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='indefinidos'/><title type='text'>Desencanto por Srta. Jones</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;É, desencantei. Sabe aquele momento em que você percebe que nada mais é como antes? Você quer dizer as palavras que surgem em torrentes no seu pensamento mas percebe que não tem com quem falar. Todos estão tão vivos e ocupados e realizados e a sua existência é um grande saco de nada. Nada acontece e você não deixa nada acontecer. Mas você quer que aconteça. E sabe que, quando chegar a hora, não será algo pequeno. Será uma reviravolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ligo para ele porque quero saber da sua vida. Quero sentir que ainda pertenço a algum lugar, a alguma história, mas ele me empurra para cada vez mais longe. Eu tenho estado cada vez mais ausente de sua narrativa. Ele não diz meu nome, eu não existo nos seus relatos. Eu sou a versão sentimental da não-pessoa. Eu não sou e não participo. Ele vive, eu assisto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu deveria fazer quando amo e não sei se sou amada? Quando admiro e definitivamente não sou admirada? Ele nunca tem palavras de afeto para mim. A minha condição está cada vez mais ameaçada. Ele ressuscitou um fantasma do passado e o colocou entre nós dois. Ele não sabe que eu descobri. Tem me retirado cada vez mais das suas linhas e de seus minutos. Toda mulher sabe, quando o seu homem não tem mais tempo para ela, alguma coisa está errada. Ele nunca tem tempo para mim. E eu sempre estou errada em pedir mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia definitvo chega em uma semana. Eu preciso estabelecer um limite para o meu sofrimento. Ele precisa me fazer saber a verdade, seja ela qual for. Quanto tempo mais ele consegue me manter na espera? Eu me enganei acreditando que o problema era comigo, mas algo acontece com ele. Por que ele não teve coragem de me dizer? Temia minha reação? Minha desconfiança? Ele me magoou por não me contar. Ele me fez pensar que suas intenções não eram as melhores. Por que esconder se não é nada de mais?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele valoriza os minutos que passa com ela como um homem que conta os dias para ver sua escolhida. Se eu não soubesse o que este fantasma representa, não sei se iria me importar. Talvez sim, mas tudo isso é mais significativo e doloroso porque eu conheço a história. É um passado do qual não faço parte e, temo eu, ele quer reviver. Eu sou o presente e uma expectativa de futuro. Ela é um passado frustrado e não-realizado que ainda o atormenta. Eu não tenho lugar nesta história de amor. Eu sou a outra. Eu sou aquela que nunca deveria ter sido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/13680560-111880036676020945?l=desencantados.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://desencantados.blogspot.com/feeds/111880036676020945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=13680560&amp;postID=111880036676020945&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/111880036676020945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/13680560/posts/default/111880036676020945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://desencantados.blogspot.com/2005/06/desencanto-por-srta-jones.html' title='Desencanto por Srta. Jones'/><author><name>Juliana A.</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
